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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Relato de parto em forma de Poesia

*Por Nicole Silveira

Quando li este relato de parto, me emocionei, pois revivi o meu...
A Anna Márcia conseguiu transformar em poesia seus sentidos e instintos femininos aflorados. Parabéns querida!



Parto reparto


Deu vontade de reviver teu parto
Então reparto essa loucura
Como pode tanta dor dar saudade?
A vida que invade da dor me cura

O calor que sua
O frio na espinha
Minha vida agora é tua
Tua vida já não será minha

Abro, me abro
Me parto em duas
E são tantas vidas
Nesse quarto, nuas
Encontros e despedidas
Dia de Sol, dia de Lua

Grito, empurro
Já não cabes mais em mim
Te chamo  num sussuro
Nosso parto está no fim

Parto, reparto
Eu já deixo você vir
Choro, te imploro
A tua vida parir

Te amei nesse segundo
O primeiro nesse mundo…

De pranto em riso
Teu corpo liso
Meu maior encanto

O teu parto
No meu quarto
Te agradeço tanto

Num abraço, num instante
Eu filha, eu mãe
Mulher partida

Me refaço, delirante
Eu mãe, eu filha
Mulher parida

02.12.2010 para Mattias



Relato de Parto Anna Márcia - Tudo: desde o começo

* Por Anna Márcia Gallafrio

Descobri a gestação na minha última semana na Irlanda, depois de um ano vivendo naquele país com o Rô. Estava concluindo um grande sonho, o curso de coaching com a melhor equipe do mundo no ramo. Tínhamos voltado de um mochilão de 4 semanas na Europa. Gastamos até o último Euro dos poucos que conseguimos juntar em Dublin. Eu trabalhei na limpeza de banheiros de um banco, o Rô trabalhava no mesmo banco e fazia pães de queijo (deliciosos) para ajudar no orçamento. Enfim, eu tinha todos os motivos para ter certeza de que ele era o homem certo, que me apoiou quando pedi demissão no Brasil para investir no curso dos meus sonhos no auge da crise europeia em 2008. O Rô tinha voltado pro Brasil uma semana antes de mim.

Lá estava eu há 3 meses sem pílula, há uns dias atrasada, com a memória daquele amor no hostel em Paris…será?

Liguei pro Rô chorando, não tinha coragem de fazer o exame, o que seria de nós dois desempregados, duros como nunca? Ele disse: vai fazer o exame, se der positivo vai ser a melhor coisa que já aconteceu em nossas vidas!

Eu fiz e “a melhor coisa das nossas vidas” apareceu em dois riscos cor-de-rosa. Fiquei quase uma hora olhando para os riscos e chorei para ele pela primeira vez : “é o meu menino”.

Cheguei ao Brasil e todo mundo foi pra casa da minha irmã numa tapiocada. Era muita gente então resolvi contar só no dia seguinte. A primeira coisa que minha irmã fez foi ir comigo no dr Evaldo, médico da família toda e de amigas, autor da cesárea de todo mundo, “um fofo”. Comecei o acompanhamento com ele, adquiri um convênio beeem fuleiro e com 7 semanas o sangue da nidação (período da implantação do embrião no útero) me levouao primeiro US no São Luiz. Estava amando a ideia do bebê, assustada com o sanguinho marrom e TUMTUMTUMTUMTUM ouvi o coração dele disparado a bater. Que alegria! Eu chorei por ele de novo, abraçada com o Rodrigo.

A gravidez ia bem, uma fooome que eu tinha que comer logo que acordava para não enjoar. Uma melancoliiiiiia que eu chorava até no comercial do Itaú. Chorava vendo pedintes na rua, uma comoção só.

Foi aí que uma dor nas costas fez o Rô ligar pro amigo dele massoterapeuta André para me tratar. Ele estava atendendo num lugar dedicado a mães, olha só! Pra quem não acredita em coincidências, veja . Foi minha primeira vez no GAMA. Ele falou de leve sobre doulas, parteira, os partos da Mirella em casa…fiquei curiosa e passei os outros 3 dias lendo freneticamente os relatos de parto da Parto do Princípio, além do livro da Ana Cris sobre parto normal ou cesárea. Entre lágrimas, muitas lágrimas, eu lia e relia, e lia pro Ro, e lia pra minha amiga, e lia e chorava loucamente.

Na quinta feira fui na reunião , com 16 semanas e amei. Falei que queria “talvez quem sabe” um parto domiciliar (PD) e com certeza um Parto Natural Hospitalar (PNH). Depois de umas 3 reuniões, eu perguntei pra AC: posso falar assim “vou TER um PD?” E ela disse “claro,  se é o que você quer vc VAI .”

Fui pra casa leve, feliz. De alguma maneira antes eu lia os relatos de PD e achava essas ulheres extremamente bem aventuradas, poderosas e sortudas. Naquele dia me incluí no grupo e apaguei a ideia de que tinha que tudo estar “muito perfeito” para rolar um PD. Tinha que ser baixo risco, tinha que ter grana, tinha que enfrentar tabus, tinha que rolar quase que um alinhamento dos planetas para acontecer!!!

Bom, se tinha ou não, já não importava; eu ia ter um PD e a Ana Cris deixou eu falar isso!!! ahahaha

Comecei meu pré-natal com a dra Catia Chuba porque a AC ia estar nos Estados Unidos em Abril. E meu filho ia nascer em Abril, contei pra vocês? A data prevista do parto (DPP) era 16/04 (aniversário da minha sogra) e com 42 semanas batia 30 de abril (aniversário da minha irmã), ou seja, era Abril e pronto, acabou.

A última consulta com dr Evaldo foi com 20 semanas, ele perguntou se eu já tinha decidido prestar homenagem à sogra. ( ??? ÃNH, fazer a cesárea dia 16 pra alegrar a sogra??? ). Ele também disse que faria meu Parto normal (PN) desde que a bacia desse passagem, o imbiguinho não enrolasse no pescoço, o tamanho dele fosse compatível, enfim, eu dependeria de novo do alinhamento dos planetas, então fugi dele.

Tudo correu bem até o ano novo em Itanhaém quando uma febre e uma dor no flanco me levaram ao PS e o diagnóstico de Infecção do trato urinário (ITU)  me deixou internada por 7 dias, os 7 primeiros de 2010. Para meu desespero o médico escreveu no prontuário “TP prematuro” e eu chorei. Não PODIA ter um trabalho de parto prematuro!! Como assim? E meus sonhos? E meu PD? Cheguei a ter contraçãoes de 3 em 3 minutos por uma hora, sem dilatação, indolores, mas fortes. Tive vômito, desmaio, fora antibioticoterapia na veia a cada 4 horas, uma benzatacil às 5 da manhã, para o prazer sádico da enfermeira mais odiosa do mundo. ( ver foto)

Ufa! Tive alta e jurei nunca mais precisar de hospital. A essa altura do empoderamento eu sabia que podia me jurar isso.

Reuniões no Gama, consultas com a Cátia, lista materna do yahoo grupos, livro Parto Ativo, livro de  Michel Odent- O renascimento do parto…minha mais prazerosa atividade era aprender sobre gestação, parto, obstetrícia e maternidade. Eu devorei tudo que podia, várias coisas eu mostrava e lia pro Rodrigo. Indignado com minha obstinação, mas já ativista da causa junto comigo. Lá pelas tantas com umas 37 semanas eu relaxei porque poderia ter meu PD, a AC não ia mais pros USA e eu desisti de reformar a casa. O tempo ia passando e as pessoas queriam saber : “pra quando é? ”

A pergunta que não se cala…

Um dia falando com o Rô e meio P* com a insistência de uns eu chamei inconscientemente a responsa: “também, se ele vier com 42 semanas eu vou é levantar a bandeira do parto natural ainda mais, servir de prova de que bebês nascem, vou entrar pro time da Fê Mouco! ”

ahaha

Algum anjo ouviu e disse “amém”.

Tudo pronto pro PD. 40 semanas!!!! 41 semanas…..! Fiz um US com 41+3 e o médico surtou: “Como assim 41+3??? Esse bebê ainda não nasceu? Tem alguma coisa errada! ” Eu disse “Não, doutor, é isso mesmo, 41+3. Me diga você se esse bebê tem motivos para estar aqui fora.” Ele checou tudo, placenta, líquido amniótico, tamanho, coração, etc…..realmente, não tinha porquê tirar o bebê à força.

As meninas da lista materna e no GAMA dando a maior força…mas eu não sentia nada de diferente. Com 41+5 fiz descolamento de membrana, não doeu nada, eu tinha 3cm de dilatação, o Rô tocou o colo do útero e sentiu a cabeça do bebê, que emoção! Conversamos com a AC que, firme, me passou toda segurança e prescreveu fazer amor. Daí conversamos com a Cris Balzano, minha doula doce que me ouviu questionar : ”O que é que ainda faltava dentro de mim para entregar??” . Ela sugeriu então que eu escrevesse pro Mattias, compartilhando meu momento e chamando ele à vida na Terra. Eu sempre gostei de escrever. Tenho meu lado poeta, adoro arriscar meus versos…Mas por algum motivo não tinha conseguido escrever pra ele. Eu declarava minha vontade de conhecê-lo, sim, mas em meditação, em oração, em voz alta…não por escrito.

O Rodrigo acha que o jeito que eu melhor me expresso é por escrito. O que eu precisava era de inspiração para desabafar no papel.

Na sexta pela manhã o Rô me chamou no quintal para mostrar uma orquídea que desabrochara naquele dia (veja foto). Aliás, várias outras plantas estavam germinando…e eu entrava na 42 semana. Cadê meu bebê? Olhei em volta ,olhei pro céu, sentei pra escrever pra ele. A carta surgiu .

Carta ao Mattias

Deixa eu falar que hoje eu to mais cheia que a Lua
Que a nossa primeira orquídea desabrochou
Que toda a noite eu penso se será a tua
E de manhã vejo que você não chegou
Mas escuta que aqui fora eu juro
Que não é tudo sempre escuro
Que às vezes o melhor mesmo é chorar
Até perceber que a noite também tem luar
Mas hoje eu sinto o Sol
Que faz nutrir a flor
Mas e hoje ao pôr-do-Sol
Será que EU suporto a dor?
Será que a Lua ela mesma adivinha
Se já é hora de se deixar minguar
E escondida se fazer novinha
Antes que cresça alguma noite a brilhar?
Do mesmo jeito que a flor se abria
Ao calor do Sol essa manhã
Me diga, Lua, se o Sol permitiria
Que a minha flor se abrisse dessa noite pra amanhã.


30.04.2010
Li pro Rodrigo, ele chorou e eu virei as costas feliz. Eu chorei muito escrevendo. Foram 10 minutos intensos. Antes do banho, o Rô quis fazer um toque  e sentiu de novo a cabeça do bebê “tem cabelo!”. Daí saiu uma clara de ovo, bem transparente e viscosa. Eba! Adoro tampão, disse a Ana Cris por torpedo.

Fomos pra acupuntura e eu tinha contrações na Marginal. Sempre tive, desde umas 30 semanas era assim, bastava entrar no carro. Sexta-feira à noite. 20h. A dra Eneida nos atendeu super bem, eu deitei na maca e meditei enquanto ela aplicava as agulhas e depois fez mochabustão para aliviar um torcicolo.

Ufa! Eu estava antes na dúvida se precisaria mesmo da sessão, mas percebi logo que o processo acelerou quando desci as escadas para ir embora e tive uma put* cãibra na verilha e agachei na hora. Esperei ali mesmo o Rô ir buscar o carro. Não dava conta de andar, não! Minha irmã ligou (novidade), era aniversário dela e tava todo mundo lá. Resolvemos não ir e relaxar em casa. Ainda fiquei um tempo na lista e 23h a gente tava já dormindo. (Incomum, sempre deitava mais de 1h).

Acordei com vontade de fazer número 2!! Olhei no celular e era 1:41 a.m. Eu sempre fazia xixi só lá pras 5 da manhã, então isso me chamou a atenção. Voltei pra cama e 1:46 estou eu olhando no celular de novo: número 2 urgente!!! ! 1:51 de novo, meu Deus! 1:57 novamente!! E 2:02 again…cara, fui tantas vezes no banheiro que resolvi lavar o vaso pra não ficar cheiro ruim. Já sabia que o Mattias ia chegar e não queria banheiro fedido. Mas daí ficou cheiro de Pato desinfetante e resolvi pegar uns incensos, ahahha.

Intestino e banheiro limpos, eu deitei de novo na cama e sentia as contrações vindo, como cólicas, mas eram elas, inconfundíveis. Eu nem abria os olhos e só respirava, gemendo um pouco e pensando na flor que se abria. O Rô não ouviu nada e continuava dormindo. Depois de um tempo não consegui mais ficar deitada. Busquei colchão na sala, edredons e travesseiros, peguei velas, incensos e FIZ MEU NINHO! Às 3:30 mandei um torpedo pra Cris e Ana Cris que eu já estava há uma hora tendo contrações de 5 em 5 minutos e queria entrar na banheira. Me imaginei passando a manhã naquela banheira. Conferi que elas receberam o SMS e daí a concetração em mim mesma e no bebê foi cada vez maior. Só sei o horário daqui pra frente pelo celular e pelo que o Rô depois contou.

Tive que acordar o Rô porque percebi que estava saindo do planeta Terra. “Rô, quando você acordar me avisa, preciso falar sério com você.” (ele demora pra acordar, abriu os olhos, reclamou das velas, do incenso no banheiro fechado e minúsculo, da bagunça.) Daí me viu de quatro na pilha de travesseiros e disse: “O que vc queria?”. Eu disse: “Amor, estou há 1h com contrações de 5 em 5. Quando vier uma NÃO fale NADA e NÃO toque em mim.”

Na primeira contração ele pegou no meu braço e disse: força linda!

“Que parte de `Não tocar em mim e Não falar nada` vc não entendeu?”

Repeti as intruções. Acho que demorou umas 4 ou 5 vezes para ele entender os dois comandos. Fui dura com ele. Acho que era a tal da partolândia.

Fui pro chuveiro, apoiava na parede e rebolava enquanto a água quente caía na lombar. E dói a lombar, hein? O Rô falava: Amor, tá de 3 em 3. E eu ficava P*** “não queroooooo saber os minutossss”. Meu medo era de o negócio involuir  e eu prestar muita atenção nos minutos.

Vinha outra e eu gemia alto, com a água quente ligada. Ele: “veio outra?” ( que pergunta!!” Não, tô treinando meu si bemol, claro que veio outra!” )  ele falava: “não, amor , é que tá de 2 em 2. AAAAAAAAAAAAAAh Não quero saber os minutos por***

O Rô sumia às vezes…eu chamava ele. Saí do chuveiro, voltei pros travesseiros, estava frio e eu pus o roupão, mas quando veio a contração eu arranquei o roupão, não queria que nada me tocasse. E dá-lhe dor na lombar. Já não estava fácil arranjar posição. Dor na lombar…Vontade de entrar na água…sentimentos confusos…eu pensei em entrar num hospital…e o pensamento foi embora como veio…confuso…Cadê a minha doula? Cadê o Rô? Meu, ele sumia! Quero o Rô, eu não vou aguentar muito tempo, meu Deus…será que eu dou conta mesmo? Cadê a Cris? Ela vai me dizer que eu consigo, cadê elaaaaa???

Falei que queria voltar pro chuveiro, mas veio uma contração e eu me joguei no chão gelado do banheiro. Vomitei. Nossa tudo junto! “Rô liga pra Cris, fala que ta doendo!”
Foi quando eu olhei pela janela e vi que estava claro. Cara, to aqui há horasssssssss, cadê as meninas? Acho que num vou aguentar!!! dói!!! Isso eu não falava, só pensava. Ouvi o Rô falar pra Cris que tava de 1 em 1 minuto. Nossa, eu estava sem noção de tempo mesmo.

Aí as contrações estavam diferentes, não bastava rebolar, a água não bastava. Me “veio”um grito de lá de dentro. Um grito de aaaaaaaarghhhhh, incontrolável, um grito de força, vontade de agachar. Puts! tava com vontade de fazer força!! E o medo de fazer força na hora errada? Será mesmo que é a hora? E se eu fizer força na hora errada e ficar com rebordo de colo? Eu li na lista que dói pra caramba reduzir rebordo de colo! Ai, mil coisas me confundiam …

Nos intervalos entre as contrações era confuso. Mas quando vinha uma era como uma onda enorme, de força avassaladora e a única coisa na mente era a entrega e um humilde pedido de “abre-me” diante da gigante que me tomava com a onda. Quando a Cris Balzano chegou eu estava no chuveiro ainda, ela me olhou nos olhos. “que bom, Anna, chegou sua hora, está tudo certo, deixa seu filho vir.” EBA!! Minha fada doula havia chegado. Essas palavras de paz e incentivo chegaram na hora de maior dor (?? é essa a palavra??), de maior confusão, e vontade de que passasse logo. Ela me pediu para deitar que ia fazer um toque. Eu estava super desconfiada. No fundo, um receio de ouvir “4 cm” e desistir. Eu não ia desistir.

Deitei e não senti dor no toque. A Cris disse que a dilatação era total ou quase total e que a cabeça dele estava bem baixa. Lá fui eu buscar posição, dessa vez fora do chuveiro, de pé apoiada no armário. Eu não podia aguentar nenhum toque nas minhas costas. Justo eu que sonhava com as massagens durante o TP…

Daí ouvi a Cris no telefone com a AC. Ela disse : ” Ana Cris, Anna Márcia no expulsivo, pode vir.”

Anna Márcia no expulsivo?? Gente, to no expulsivo!!!! Foi minha mensagem telepática pra todas da lista materna, pra todas mulheres do mundo, haviam muitas do meu lado, naquele quarto, naquela hora. Eu to no expulsivooo!! Néctar aos meus lábios, música aos meus ouvidos. Tô no expulsivo. Há! Eu estava prestes a (re) conhecer meu filho Mattias.

Procurei posições, mas era uma fase já bem diferente. Uma vontade de gritar. Eu estava de joelhos, o Rô na frente e quando vinha uma eu me jogava de quatro, a cabeça no meio das pernas dele, as mãos abraçando meu amor. Saiu bastante tampão. A Cris disse que o Mattias estava bem tampado, por isso demorou 42 semanas.

A AC já estava em casa quando eu senti uma dor MUITO forte, ainda nessa posição. Parecia uma pedra apertando minhas vértebras, sei lá. Foi bem na lombar , onde o nervo pinçado havia me levado ao GAMA. Lembrei do André dizendo que o bebê faria movimentos álgicos ( pró dor ) e que isso era bom. BOM??????? Meu Deus, a palavra é DOR. Essa sim, DOR! Foi um giro do bebê lá dentro, e que botou no lugar a minha vértebra escoliótica.(botou no lugar mesmo, nunca mais tive dor). Absurdamente incontrolável. O Rô diz que foi a única hora que eu falei palavrão e que a AC arregalou os olhos.

A AC me perguntou se eu queria deitar. Tudo que eu queria era deitar de lado. Lá fui eu. Quando vinha uma o Rô me ajudava pondo o joelho contra meu rosto. Eu fazia muita força. E depois que passava eu dormia de sonhar que o Mattias já estava correndo pela casa. Louca. Daí vinha outra e o Rô disse que estava vendo a cabeça descer e subir. Eu sentia tudo. Essa é a grande maravilha de um parto sem anestesia. Eu SABIA onde o Mattias estava. Tão perto… Me lembro de perguntar pra AC: “vou conseguir?”E todos responderam: “você já está conseguindo. ” Os puxos têm intervalos maiores e eu sonhava entre eles, quando vinha outro eu sentia que estava voltando de um sonho.

 A última posição foi de cócoras na banqueta verde. Foi assim que eu me percebi no expulsivo, finalmente, entendi o que tava rolando. Tinha um espelho grande atrás da AC, um pequeno espelho na mão dela, uma lanterna com a Cris, eu na banqueta e o Rô atrás de mim. Eu estava fazendo uma força longa, com grito longo e a bolsa rompeu. A AC então me pediu para mudar o jeito da força. Eu enchia o peito todo de ar, fazia a força no topo da barriga e segurava a força lá pra baixo.. Até o fim da contração-puxo dá pra fazer isso umas 3 vezes. Eu olhava nos olhos da AC e o medo passava.

Ela disse que a cabeça estava aparecendo. Falou para eu tocar o cabelinho, mas eu não quis, eu sabia onde ele estava, exatamente e não queria me desconcentrar daquilo. Eu suava…não pensava que ia suar no meu TP, pensei em dividir isso com a lista, o quarto todo suava, os espelhos também. Vinha um puxo e eu olhava pra AC. A Cris falava palavras de incentivo, o Rô me abraçava, que o Matt tava chegando. Quando passava eu me jogava pra trás, pra descansar.

Olhei no espelho e vi uns 2 dedos de abertura na vagina, um cabelinho entre os lábios. Senti muita pressão no ânus. Parecia que ia rasgar e sair por ali. Falei isso e a Cris me disse que era normal, que não ia sair por ali e que ele ia girar e sair pelo lugar certo, que eu podia na próxima sentir o círculo de fogo. Ai que aflição. Não queria sentir círculo nenhum. Eu lembrava dos relatos que tinha lido e não lembrava de ninguém suando, mas eu suava! “Preciso lembrar de por isso no meu relato…”

 (não senti círculo de fogo) Na próxima força, senti a cabeça descendo e me abrindo completamente até que ela saiu. NASCEU! NASCEU! Senti os ombros saindo, um depois o outro, e o corpo escorregar de dentro de mim. MEU FILHO CHEGOU!!!

Essa emoção é difícil descrever. êxtase. Não há mais dor nenhuma, zero. Eu vi meu filho que chorou alguns segundos depois e veio pro meu peito. O cordão era meio curto e eu fiquei tortinha para poder abraçá-lo. O corpo quente, saindo fumaça, era a coisa mais linda ,escorreguenta e gostosa que eu já tinha abraçado. O Rô tava chorando, eu não conseguia parar de rir nem de olhar pra ele.

O cordão era bem mais grosso que eu imaginava. Senti o pulsar que ainda unia nós dois. O pulsar que levava do meu coração todo amor e oxigênio que entrava nele. Meus olho se encheu de lágrimas. Depois que parou de pulsar o Rô cortou o cordão. E o Mattias chegou as 9:05 da manhã de um lindo sábado de sol. Quem disse que ele nasceria em Abril? Nada! Primeiro de Maio. Feriado. Dia do trabalho à dor. Dia do trabalho…de parto. ahahahaha

Curiosidades:

No expulsivo, a hora que eu perguntei se eu conseguiria, não me dava conta racionalmente do quanto pouco faltava. TP é instinto e não racional.

O quarto estava quente, à meia luz, os espelhos e vidros transpiravam. Pura energia, densa, pesada, dava prea sentir sobre a cabeça.

A placenta demorou 1h30min para sair, fiquei inalando ocitocina e tomei 2 injeções de ocitocina, para ajudar a contrair o útero. Mas quando eu pari, foi puro prazer: molinha, quente, parece um shitakão de mais de quilo. Pra-zer.

Ele mamou na segunda hora de vida, depois de saída a placenta. Até então ficou lambendo e tentando, e lambendo….e dormindo…

Tomei 2 pontinhos internos e 1 externo na região perineal e a recuperação foi ótima. Superou minhas expectativas.

Não tivemos pediatra na hora, mas a parteira deu nota 9 e 10 de Apgar. ele pesou 3620g – eu não imaginava o tempo que ia demorar para ele superar o peso de nacsido ainda… Outro capítulo.

Agradeço :

ao Mattias. You did an excellent job.

AC, você é incrivelmente forte e intuitiva.

Cris minha doce doula.

Rodrigo, sem palavras para descrever nossos 3 dias olhando nosso filho e chorando. eu te amo.

Lista materna, meu vício mais sadio. eu cheguei aqui, eu pari porque sabia dessa rede de apoio.

A todos que torceram a favor,

OBRIGADA!

com amor,

Anna Márcia

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Relato de Parto Nicole - Nascimento de Hadassa (SET/11)

19 de setembro de 2011


* Por Nicole Silveira
O dia tão esperado chegou!
Na madrugada de Domingo as 4h da manhã despertei com uma sensação estranha na barriga,que não era dor, o bebe estava mexendo. Fui ao banheiro e vi que minha calcinha estava com uma secreção marrom, fui correndo par consultar na internet e constatei o que sentia : meu tampão mucoso estava saindo e este era o primeiro sinal que o trabalho de parto estava apenas começando. Fiquei muito contente, mas resolvi não acordar Gleyton, eu diria assim que acordássemos.
Pela manhã fui a casa de minha sogra e nos dois últimos dias eu pedia para ela medir minha barriga que estava baixando e neste dia ela estava com 4 dedos, então contei sobre o tampão e que naquela manhã comecei a sentir cólicas bem fraquinhas e irregulares. Ela ficou muito feliz e começou a planejar o cardápio do dia e os bolos que faria.
Liguei para Dona Prazeres, minha parteira, ela disse que eu estava num preparatório e eu me alimentasse bem até o horário do almoço e procurasse dormir, que a mantivesse informada sobre as cólicas e a intensidade, pois ela estava preparada só aguardando ser chamada. Falar com ela é sempre um conforto, pela segurança e tranqüilidade que ela passa.
Passei o dia organizando tudo para o parto, conversando com Hadassa, para que ela ajudasse mamãe e acendendo brasas de carvão para queimar alfazema (os partos tradicionais no interior acendem incenso de alfazema o avisando aos vizinhos do nascimento do bebê), o aroma é ótimo e deixava a casa no clima de nascimento.
Trabalho de Parto
Por volta das 23 horas do domingo eu já estava com cólicas mais fortes, porém suportáveis e ainda irregulares, Hadassa mexia bastante. Estava aguardando a chegada de Dona Prazeres  e Danieli. Eu estava muito alegre com a chegada de Hadassa e estava muito sorridente; Deixei tudo em ordem, a casa, o material para o parto, o chá de canela, o incenso de alfazema. Quando elas chegaram pensei: “Está como planejamos, agora é minha filha nascer! Vai dar tudo certo”. Em momento algum duvidei disso: “Vai dar tudo certo”. Dona Prazeres me elogiou: “Hum toda sorridente e bem arrumadinha” como se já soubesse que mais tarde eu estaria fazendo caretas e completamente nua.
Danieli fez a escuta dos batimentos de Hadassa, estavam 140 por minuto. Perguntei a ela sobre a intuição espiritual de Prazeres, pois a minha informava que estava tudo bem, ela confirmou que a dela estava em perfeita sintonia com a minha.
Fui dormir com Gleyton, mas não consegui;Logo começaram as contrações mais fortes e regulares. Dona Prazeres disse que eu a chamasse assim que eu começasse a fazer caretas; Essas caretas vieram junto com as dores mais fortes e a chamei e logo vieram com todo carinho me atender. Fiquei sentada na bola suíça, dando pulos assim que a contração vinha; Caiu a ficha que daquele momento em diante entrei no mundo do parto, aquela madrugada seria marcante e minha filha estava perto de nascer.
Fizeram o 1° exame de toque e informaram que o colo estava bem fino e por isso era difícil constatar quantos centímetros de dilatação estava.
Tomei banho quente da cintura para baixo, o que é realmente muito relaxante, para se ter noção no banho minha barriga contraiu, mas eu não senti a dor;
Durante a noite o trabalho de parto foi assim: Contrações que foram tornando-se cada vez mais regulares e intensas, nestes momentos contei com o amor e força de meu marido que fazia massagens na região lombar e sacro, fez exercícios de agachamento comigo, me segurava quando eu sentia que não agüentava mais e também quando quase caí por duas vezes por causa do sono; Também contei com o carinho de Dani que me abraçava nos momentos de dores mais fortes, o que me energizava e ainda dizia palavras tão doces que acalmavam e tornavam suportáveis qualquer dor, pois me tornava consciente que a vida estava fluindo e minha filha estava cada vez mais pertinho de nascer; Dona Prazeres com seu olhar experiente e seguro me passava toda segurança que estava tudo bem, as dores eram necessárias e naturais, fazem parte do processo da vida; Gleyton me contou que o que o tornava mais calmo diante das minha dores era olhar para ela que vez por outra dava umas piscadelas de lado e dizia a ele : “está tudo bem!”
Ouvimos música toda noite, até arrisquei uns passos de reggae junto a Dona Prazeres. Eram sons conhecidos de Hadassa durante a gestação.
As 5h da manhã minha bolsa estoura, estava em posição da gatinha, ou de quatro, o que não foi muito confortável. Líquido de cor clara e limpo, o que significa? “Está tudo bem!”
Desta hora em diante as dores se tornaram mais intensas e quando olhava para o relógio o tempo passava a cada meia hora a ansiedade de parir era muito grande acompanhado das dores. Eu estava exausta e precisava dormir; Nos intervalos das contrações que estavam a cada 15 minutos eu me deitei no colchonete que estava na sala e dormi; Sabe aqueles sonos bem curtos que parece que você dormiu por horas?! Mas fui despertada por contração muito forte; “Vale salientar que deitada à contração parece multiplicada por 10X, admiro a força das mulheres que conseguem parir deitadas, pois para mim foi a pior posição que estive durante o trabalho de parto”; Dani me pedia para levantar as pernas o que aliviou um pouco e logo depois que ela passou era como se eu não tivesse sentido nada e caí novamente no meu sono revigorante, até ser despertada por outra contração.
Sentei na cadeira de parto e senti o aconchego do abraço do meu Gleyton, que sussurrava coisas tão bonitas e palavras de força ao meu ouvido sobre nossa filhinha e nosso amor.
Eram umas 7h  Dona Prazeres sugeriu mais um toque, eu não me animei com a  idéia, estava muito sensível e até as perguntas que ela fazia eu não entendia mais..Dani disse: “Ela gora entrou definitivamente no mundo do parto”; Eu me lembrei daquele banho quente tão relaxante e elas consentiram. Após o banho eu cheguei junto delas e pedi um analgésico, elas riram e Dona Prazeres disse: “Não tem”!
Foi então que após o toque Dani informou que sentia a testa de minha filhinha e que faltava tão pouco para Hadassa nascer, ela propôs que eu fizesse o exercício de agachamento com Gleyton sempre que sentisse a contração, eu achei que não fosse conseguir, mas uma força inesperada se apoderou de mim e comecei a caminhar pela casa e quando senti a contração agachava ou sentava na bola suíça para dar pulos; Não parecia em nada com a Nicole de 30 minutos atrás que pedira analgésico! Depois de cada contração eu pensava assim: o meu bebê está mais perto, ele está mais perto”. Foi então que comecei a sentir a famosa e tão esperada vontade de fazer força, eu estava de pé e fui para a cadeira de parto com Gleyton me segurando por trás. Era um mix de sentimentos e a vontade de fazer força a cada contração já minimizava as dores. Dona Prazeres e Daniele se prepararam para o expulsivo com tanta tranqüilidade e alegria me incentivava a cada contração a fazer mais força, pois “- Hadassa linda já está vindo”; As dores já estavam para trás agora era fazer força, os gemidos das contrações deram lugar aos gritos fortes que pareciam auxiliar na abertura do canal do parto e eu só pensava em ter minha filha em meus braços. A cada força eu sentia ela descer . Dona Prazeres e Danieli  estavam  já com sua cabeça nas mãos e Gleyton fazia massagem na minha barriga para auxiliar a saída, quando vi o corpinho sair e o chorinho  vigoroso dela ecoar na sala, uma sensação de alívio e uma emoção muito forte se apoderaram de mim, ter minha filha tão desejada em meus braços, conhecer seu rostinho lindo, sentir seu cheirinho e seu corpinho quente, pôr sua boca no seio e sentir seu reflexo de sugar. Agradeci ao Criador por nos ter proporcionado uma felicidade difícil de relatar em palavras. Meu amado esposo estava muito emocionado também, ele me disse ainda na gestação que só se sentiria aliviado quando nos visse juntas e estávamos bem ali envoltas nos seus braços.

Parir é uma experiência única, mágica e sublime.

sábado, 23 de julho de 2011

Relato de Parto Carol / Nascimento de Nara - Lindo de Viver!!!!


RELATO DE PARTO DOMICILIAR

Por Shirley Caroline

Uma vez escrevi que tudo começa na segunda-feira e nas manhas das manhãs. E foi assim que começaram os primeiros sinais da vinda de Nara.
O relógio indicava 7hs, dia 13 de Junho de 2011, dia de Santo Antônio. Acordei com os sentidos voltados para o meu corpo. Por isso mesmo, já sabia que era chegada a hora. Fiquei tranqüila. Em meu pensamento as palavras de um amigo eram todas repetidas “o corpo é sábio” – e acreditei. Ao perceber que as leves dores de cólica persistiam quando em vez, liguei para a parteira Danieli Siqueira, às 10h. Foi estabelecida a comunicação. Com a confirmação de Dani, de que era a “boa hora”, entrei no quartinho de Nara, conversei com ela e orei aos espíritos amigos. Às 14h30, como um sistema de conjuntos, meu quarto estava na casa vazia, a cama estava no quarto, eu estava na cama, a barriga em mim, Nara na barriga, mas não nadava mais. Um quentinho jorrava entre as minhas pernas. Em pouco tempo já estava a sentir náuseas e irritação porque, ali, eu havia penetrado no meu mundo, o qual havia se tornado restrito.  Eu estava adentrando a Partolândia...
Pela janela do quarto, vi Dani de braços dados com Dona Prazeres entrando pelo portãozinho. E eu olhei para aquele serzinho de quase um metro e meio com o coração palpitando de felicidade. Havia Rebeca e havia Tatiana, doula. Eu sabia que não estava mais sozinha. Sabia que a partir daquele momento era a pessoa mais segura do universo e que todos os meus desejos seriam respeitados. Estava caminhando para um parto natural, ativo, humanizado, trazendo minha filha da melhor forma possível a este mundo, com respeito e entrega que é o princípio do amor.
Meu último desejo foi um pedaço da manga que Rebeca estava fatiando. Não precisei falar que queria, ela ofereceu como quem está em sintonia absoluta. Recordo das caminhadas e abraços tranqüilizadores de Tati, respirando comigo o tempo todo. De olharmos a lua, no céu, plena em seu último dia de lua crescente; crescida, enfim. Lembro do olhar seguro e a voz doce de Dani, mostrando a realidade com entrelinhas do “eu-confio-em-você” e o olhar tão vencido pelo tempo, de dona Prazeres, o qual me respondia perguntas que nunca pronunciei naquela noite. Noite que estava linda, com um clima agradável, muitas estrelas. Nossa casa estava com apenas uma ou duas luzes acesas e todos os presentes possuíam a sensibilidade de me deixar à vontade e se aproximarem nas exatas horas certas.
O avanço das contrações ocorria em segredo com a imagem do quadro que Dani me pintou. Eu via a imagem de um pôr-do-sol se misturando com a areia de um deserto aonde brotava de uma montanhazinha de areia uma pequenina flor vermelha, simplória, de apenas três pétalas, sobrevivendo no meio do nada, querendo acordar como a rosa do pequeno príncipe. Era o meu útero dilatando...
Com a chegada do papai de Nara, Martins, tive muita ajuda, mas às vezes precisava de Tati para me lembrar como respirava e segurar em minha mão. Ele não estava totalmente preparado por isso não entendia a importância, mas ele acreditava em mim e aprendeu ali, no decorrer do processo a ser um excelente companheiro-pai.  Um momento bastante importante da sua presença se deu quando Dani e dona Prazeres deram o único toque do trabalho de parto. Foi em minha cama, no quarto que um dia foi da mãe de Martins e então era nosso e Nara nasceria nele. Martins deitou ao meu lado e segurou em minha mão, enquanto Dani e Dona Prazeres verificaram a dilatação acompanhada de uma excelente notícia: às 20h30 eu já estava com quase 8 de dilatação! Merecia descanso e fiquei alguns minutos deitada com Martins ao meu lado, sozinhos. Foi ali que fizemos as pazes com o antes.
As contrações foram ficando cada vez mais fortes. O corpo queria expulsar tudo! Fazer uma faxina. Exercícios, caminhadas, bola e uma vontade terrível de evacuar. Era hora de ir para a piscininha. Narinha viria das águas! Todos ansiavam a sua chegada e Dani dizia que estava no 3º estágio.  Logo, a banqueta estava dentro da água. A cada contração, Martins me suspendia e Dani protegia o meu períneo o que dava ainda mais vontade de evacuar, mas eu não sabia direcionar a força do evacuar e a prendia em minha garganta. Por um momento entrei em desespero, dei dois gritos e quase chorei! Neste momento, por alguns segundos, quase desacreditei em meu corpo, foi então que todos se aproximaram mais para ajudar. De repente, Martins e Dani estavam dentro da piscina. Com auxílio das parteiras a cabecinha de Nara saiu e para o corpinho só precisou de uma única força. Eu estava curada da lembrança remota do meu nascer e da episiotomia traumatizante da minha mãe.
Apressadamente, Dani colocou, com um lindo sorriso no rosto, Nara em meus braços. A sensação é indescritível. Parece clichê, mas não recordo de possuir tanta felicidade antes, em toda minha vida! Dois olhinhos de bola de gude me olhavam, logo fechavam, como de japinha, para chorar. As parteiras deram as mãos. Havia abraços e sorrisos. Havia Martins, atrás de mim, com olhos de “ufa!”. Dani me deu um grande beijo na testa, Narinha a consagrava parteira e eu dava vivas pela minha cumadre!
Foi assim que Nara chegou naquela noite de 14 de Junho de 2011, às 00:52, pesando 3.750kg e medindo 55cm, sob o signo de gêmeos, com ascendente em áries e lua em sagitário, como a mãe. Seu bracinho estava enganchado no cordão umbilical. A primeira palavra que eu disse, antes dela chorar, foi “seja bem vinda a este mundo, minha filha!” e a trouxe para o seio esquerdo. O cordão parou de pulsar rapidinho, só depois o papai dela o cortou. Em seguida, Dani a limpou e a levou para conhecer o seu quarto e a sua casa (com exceção dos banheiros). Nara observava tudo, atenta e em silêncio.
O que eu pensava acontecer em segredo, não era tão segredo assim. Na casa ao lado, outras pessoas esperavam Nara com lágrimas, ansiedade e orações. Minha mãe, a madrasta e a irmã do papai, vieram como os três reis magos, guiadas pelo choro, conhecer Narinha.
Ficamos, por alguns minutos, afastadas por paredes. Enquanto Nara conhecia sua família, eu expulsava a placenta. A placenta descolou rapidamente do útero, mas era muito grande e a dor não era nada amiga. No entanto, bastou uma única força, na banqueta, para que ela fosse expulsa. Ela era do tipo raquete, dona Prazeres disse. Comi um pequeno pedacinho com molho shoyo, para recuperar as energias e os demais restos foram enterrados na frente de casa, no dia seguinte, pelo vovô e papai, no que um dia será um pequeno jardim e  hoje há tanto abandono.
A maior surpresa ficou para o final – meu períneo estava íntegro! Curei a mim e a minha mãe do trauma causado pelo meu parto há 24 anos antes. Minha mãe... Tentei levá-la aos encontros de gestantes diversas vezes, sem sucesso; após a chegada de Nara ela tornou-se uma defensora , a olhar o parto humanizado com outros olhos e sei que a mim, também. 
Por fim,
Às 3hs da manhã a casa ficou com o nosso silêncio: meu, de Nara e de Martins, que fazia a vigília do sono dela, enquanto eu descansava um pouco. Ele a pegou nos braços, levou para o berço, olhou da porta do quarto, voltou, a pegou nos (a)braços, trouxe para a cama, trocou a primeira fralda. Havia um brilho em seus olhos, daqueles de quando a gente se apaixona. Ele estava se tornando pai. E quando abri meus olhos, duas ou três horas depois, ele estava na mesma posição, fixando o olhar no mesmo objeto. Nara olhava tudo lentamente com olhinhos de bola de gude, conhecendo e se deixando conhecer. O mundo se limitava todo ali, naquela cama de casal em que cabia três.
Dentro de mim, meu coração batia mansinho e quietinho, batucando um samba como uma prece, agradecida a todos os espíritos amigos, materiais ou não. Eu estava aliviada. Muita coisa iria começar, mas muitas outras também iriam terminar. Era o nascimento de Nara, mas também era o renascimento de Carol, o nascimento de uma mãe.

Seja bem vinda, minha filha!
Mamãe já ama.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nasce mais um bebê GESTAR...de um lindo parto domiciliar!!!

* por Danieli Siqueira                                                                                                                            Dia de Santo Antônio, Carol me liga dizendo que Nara começa a sinalizar que está para chegar...Carol estava perdendo tampão e com contrações ainda desregulares e cólicas fraquinhas, era umas 10hs da manhã. Às 14:30 a bolsa das águas rompeu, chegamos lá por volta das 15:30hs, o trabalho de parto se acelerou e Carol foi super guerreira, forte, resistente...E assim continuou o trabalho de parto, às 20:30 fiz o primeiro toque e ela estava com 8 cm de dilatação, continuamos no trabalho e na espera e às 00:52 do dia 14 de junho nasceu NARA, na piscina e na banqueta ao mesmo tempo, com 55 cm e 3.750kg.
Foi um lindo trabalho e muito especial!
Nara nasceu pelas minhas mãos, fui batizada Parteira!!!!
Agradeço imensamente ao universo por vivenciar este momento mágico.
Viva Carol, viva Martin, viva Nara!!!
Sou muito grata a Dona Prazeres, Parteira Tradicional, há mais de 40 anos, que com amor esteve lá todo tempo me apoiando e incentivando em mais este passo na caminhada do partejar, na missão de ajudar outras Mulheres a acessaram o seu poder, o poder do feminino, de GESTAR a vida, de parir a vida!!!
Tatiana doula e Rebeca arrasaram com tanta disponibilidade e eficiência.
Em breve fotos!!

sábado, 27 de novembro de 2010

Relato de Parto Danieli / Nascimento de Rian - 03.11.2006

Foi incrível. Foi simplesmente a maior sensação de prazer que já experimentei. A dor era o de menos, só conseguia me concentrar no fato de que meu filho estava me dizendo que era chegada a hora de ele vir ao mundo, eu podia escutá-lo como se ele estivesse sussurrando ao meu ouvido. Apesar de todas as contrações não me lembro ter derramado uma lágrima sequer, a não ser logo após o nascimento, momento em que o tive em meus braços e meu coração esborrou de tanto amor e emoção. Senti-me muito poderosa e hoje sou uma mulher muito mais realizada e feliz, aliás, há dias em que acordo e penso “ai que vontade de parir”, por toda sensação de prazer e empoderamento que este acontecimento pôde me proporcionar. Apesar de as pessoas geralmente pensarem o contrário, o dia do meu parto foi o dia que me senti mais segura em toda vida, sob a companhia do meu marido, da minha comadre Suely e de pessoas queridas pude dar a luz ao meu filho no local mais apropriado possível, o meu lar. Sinto que isto foi de muita significância também para o meu bebê e o meu companheiro, para Rian por que nasceu livre de qualquer efeito alopata e de maneira exclusivamente natural, o que influenciou em grandes proporções sua característica de garoto saudável e tranquilo e para Ronald por ter participado ativamente de cada minuto do trabalho de parto e ter tido nosso filho em seus braços logo após o primeiro chorinho.

Danieli Siqueira
Coordenadora do GESTAR, Parteira Tradicional Aprendiz, Doula, Mãe e Antropóloga

sábado, 6 de novembro de 2010

Mais Relato de Parto - Kalinne

O nascimento é a celebração da vida!


É como se o sol estivesse nascendo em nosso coração,resignificando a vida a cada sorriso da criança.

Gratidão eterna a vida e a todos os seres de luz que a fazem acontecer...



"poesia da criação"



Segue a vida a cada instante

renovando o nosso sonho

somos sonhos, somos sempre o contínuo despertar

levamos dentro do peito esse mundo-coração

onde a vida é um presente ,e faz presente na manhã

na lembrança da criança que fomos e vemos ser

nossos filhos, nossa glória do eterno amanhecer

mais que tudo é alegria

nessa festa que é viver

no amor vive a magia

que purifica o nosso SER



Relato do parto de Aylinn



No dia 28/09/10 , fui a roda de casais do CAIS do parto e cantei no colinho de duas gestantes... Suely me examinou e viu que a cabeça estava quase fixa e que não tardaria muito para Aylinn querer sair.

No outro dia acordei e senti que desceu bastante líquido ,porém não era o líquido da bolsa,mas ( dito pela comadre)provavelmente foi a cabeça que havia fixado.À noite tivemos a última noite de chamego(pré-parto), eu e meu companheiro e acho que daí incentivamos o trabalho de parto que começou por volta das 02:30 da madrugada do dia 30/09/10, último dia da lua cheia.

Eu já estava ,há algumas semanas, com muita dificuldade para dormir, já estava bem cansada da barriga( a comadre diz que isso é um sinal que o parto já está próximo). Começaram as contrações suaves, com intevalos de 7 minutos, comuniquei ao meu companheiro que a hora havia chegado, ao mesmo tempo não queria acreditar que já estava em trabalho de parto com 37 semanas de gestação.

Começei a fazer cocô seguidamente e muito xixi, trouxe o pinico para a cama e sempre que vinha a contração eu ficava de joelhos.Ainda tentei dormir um pouco e foram quando as contrações aumentaram os intevalos para 10 min. Logo depois já encurtaram para 5 em 5min.Já estava amanhecendo,às 6hs da manhã consegui falar com a comadre Suely, e então pedimos para o amigo Bruno ( pai de Ian e companheiro de Drica) ir buscar-la.Fui para um banho morno com a bola e relaxei bastante , vomitei um pouco e depois fui caminhar com os meus doulos, Thomas ( pai de Aylinn) e meu filho mais velho de 4 anos ,Inti Cairé.As contrações continuavam de 5 em 5 min,tomei um café energético e depois da caminhada vomitei mais uma vez. Inti Cairé preparou o espaço do "jardim de parto",ele e o pai prepararam o altar em volta da acássia( a mesma árvore que nasceu Aman, meu segundo filho, com 2 anos 10 meses).Peguei o tambor e fui louvar a Pachamama ,Mãe Terra. Inti me acompanhou todo instante.Logo em seguida chegou a equipe oficial do CAIS, mãe e filha , Suely e Marcely, as mensageiras da luz...

Suely fez um toque e ouviu o batimento, estava com 7 cm e um batimento bom, o colo ainda alto...Tirei as pedras das runas( o oráculo da comadre) e saíram hagalaz,indicando obstáculos( a mesma do runa do parto do Inti Cairé) e depois wanju, runa da alegria, ficamos então com boas espectativas.

Fui caminhar com Marcely, contrações mais fortes e algumas mais fracas, sempre me acocorava durante as contrações.Ao voltar, vomitei a banana e o café que havia antes da caminhada,fiquei na bola de novo,mas logo fiquei muito cansada,por não ter dormido a noite, e então me deitei na esteira nos intervalos das contrações. Minha mãe chegou.Suely olhou a linha do cóccix, uma forma de ver também a dilatação do colo,e viu que já estava com 8 cm.Fui caminhar de novo com o Thomas ,mas as contrações já estavam mais fortes,não consegui caminhar muito mais portanto voltamos e então já começei sentir a cabeça baixando,depois de outra contração bem forte sai da bola e me ajoelhei com Thomas me segurando os braços,e então na terceira contração senti coroando a cabeça,naturalmente fiz uma força espontânea bem na hora da saída da cabeça e outra força na saída do corpo.Nasceu Aylinn com o cordão bem curto.Por isso entendi o tempo do trabalho de parto...cordão bem curto , diferente dos outros dois filhos que tinham os cordões bem longos.

Deixamos a placenta por 7 horas ligada à ela, seguindo uma tradição milenar indiana o "Parto de Lótus"que demonstra um cuidado maior pelo corpo do bebê e pela placenta que ainda mantém a sua ligação mesmo fora do útero,ainda passando o sangue e toda a nutrição contida, fortalecendo ainda mais o bebê. Dessa forma também resignificamos a placenta e nos vinculamos com ela mais amorosamente.

No pôr-do-sol Thomas cortou o cordão, simbolizando um novo ciclo,o fim da vida uterina e o início da vida terrena.

Aylinn escolheu o seu dia e sua hora para nascer,30/09/10 às 11:14 da manhã de um lindo dia de sol, com ventos soprando...Libriana , ascendente em capricórnio e lua em câncer...

Pela leitura mística da comadre, o cordão curto representa a ligação da Aylinn comigo, ventos soprando representam os seus dons com as artes...

domingo, 10 de outubro de 2010

Relato do Parto Kalinne - pela Parteira Suely Carvalho

Queridas



Ontem, 30 de setembro, ultimo dia da lua cheia nossa comadre Kalline deu a luz às 11.13h. nasceu Ayllin com 3250kg 50 cm sendo recebida pelo sol pela brisa embaixo do pé de acássia na terra mais uma vez. Demorou um pouquinho considerando que ela tem parto rápido foram 9 horas de tp mas foi porque Ayllin queria ficar muito juntinho da mamãe por isso tinha o cordão bem curtinho suficiente para chegar do lado de cá, mas, o período expulsivo foi 3 minutos e uma pequeníssima lasceraçao no intróito vaginal. Estávamos apenas eu e Marcely nos levou até o sitio Bruno pai do lindo recém chegado Yan companheiro da querida Drica, pela distancia e acesso e por crermos que o parto seria muito rápido como foi o nascimento do Aman Terra não chamamos nenhuma Doula ou aprendiz de Parteira, estavam também Thomáz, a vó Graça, Nice a funcionária , um amigo deles filmando, Inti e Aman os irmãozinhos. Kalline optou pelo parto de loto e permaneceram com a placenta conectada por 7 horas, após o por do sol o pai desconectou a placenta mas no momento do nascimento tivemos a degustação da placenta. A bolsa rompeu quando a cabecinha dela corôou, pouca água, quase nada de sangue. Nossa comadre realmente é guerreira parideira que se auto determina e conduz seu corpo sua força sua energia Prana. Ayllin é o diamante que vem do coração da Pachamama e tem o brilho dos seus ancestrais há anos luz daqui. BEM VINDA.

Beijo

Suely

Relato: Parto de kalinne / Nascimento de Aylinn - Parto Domiciliar

Após 9 horas de trabalho de parto no Centro Ecopedagógico Bicho do Mato, na Zona Rural

do Recife, nasceu as 11:13 h da manhã, abaixo de uma árvore (Cassia), Aylinn com 50 cm

3.250 kg, cabeluda e bem tranquila.

Foi um trabalho de parto maravilhoso com a presença das parteiras tradicionais Suely

e Marcelly Carvalho da Ong Cais do Parto. A presença do Papai Thomas Enlazador,

Vovó Graça, amig@s e os irmãozinhos Inti Cairé e Aman Terra

foram fundamentais para a Mamãe Kalinne parir com tranquilidade em um dia ensolarado

na capital Pernambucana.

Mama Kali e Ayllinn passam bem e agora vão receber um tratamento especial para

se recomporem do momento mágico e espiritualizado que é nascer de maneira

ecologizada, naturalmente orgânica, com a presença dos amigos e familiares em seu

lar.

Nesse parto, realizamos a experiencia de manter algumas horas (7 horas), a placenta

conectada com o cordão umbilical, deixando o sangue e todas as propriedades mágicas

e fortalecedoras dos primeiros momentos na terra, fluírem. Cortamos o cordão só depois

do por do sol. Notamos que ainda havia circulação de sangue e que Aylinn ficou bem

rosadinha e feliz com essa vacina naturalmente viva. Existem experiências de até 24 horas

de placenta conectada. Interessados podem procurador (Parto de Lótus).

Mais um ponto e um super voto de confiança a militância do Parto Natural Ecologizado,

ao trabalho das parteiras tradicionais e a Ong Cais do Parto que ha quase 20 anos, semeia

uma visão prática que outra forma de partejar e nascer é possível.

Mama Kali irá receber visitas somente a partir do dia 9 de outubro e as atividades do Ecocentro

Bicho do Mato, estarão temporariamente desativadas até o inicio de novembro, período em que

termina o resguardo.

No mais, agora recomeça o trabalho para lavar as centenas de fraldas de pano, pois, como

sabem, somos adeptos das fraldas de pano e da ecologia do inicio da vida, imprimindo a menor

pegada ecológica possível para os seres de luz que chegam a terra.



Ps- Se forem repassar, enviem para pessoas que valorizam e respeitam essa opção.


Abraços Ecopartejantes da familia Bicho do Mato

Kalinne, Thomas Enlazador, Inti Cairé, Aman Terra e Aylinn

Relato: Parto de Nélia / Nascimento de Daniel - Parto Hospitalar

Oi gente,




Antes de tudo, quero agradecer MUITO a todas as mensagens, orações, velas (to sabendo de várias velas virtuais), mandingas e tudo o mais que vocês mandaram pra mim, porque acho que toda essa torcida foi mesmo muito necessária e colaborou para o final maravilhoso do meu parto. Como podem imaginar, cá estou eu, mais ocitocinada que nunca (também, depois de 24h de ocitocina sintética na veia, mais a que o parto produziu e produz), muito feliz, ao lado do meu novo bombonzinho, o Daniel!!!



Estou em casa, tivemos alta hoje, porque Daniel, apesar da pega maravilhosa, passou a noite do sábado sem mamar daí Dra. Dani achou melhor que nós ficássemos mais um dia. Brena me deu alta ontem. Desde ontem de manhã comecei a escrever essa mensagem mas ainda não consegui terminar.



A intenção era que fosse um mini-relato, só pra resumir o que aconteceu, enquanto ainda está fresquinho na minha cabeça!! Mas como foi tão longo e cheio de detalhes, não dá pra ser muito mini não KKKK



Daniel nasceu com 38 semanas e 5 dias pela DUM e 39 semanas e 3 dias pela ultra, com 2,890g e 49cm, num parto longo, trabalhoso, cansativo, que pôs à prova boa TODOS os meus limites, como mulher, mãe e gente, e que certamente transformou a mim e tocou muito a quem o acompanhou (tive a bênção de ter ao meu lado as médicas Brena Melo - que fez meu pré-natal e Leila Katz, com direito a participação especial de Nani, que veio, mamou, dormiu e acompanhou parte do parto; minha amiga-doula e agora comadre Ana Katz; em boa parte do TP, Marcely Carvalho e em outra parte, incluindo o nascimento de Daniel, da xará dele, Danieli Siqueira, doula, aprendiz de parteira e colaboradora do CAIS do Parto, além de Aleks, meu companheiro e pai de Daniel), meus pais deram uma passadinha e ainda teve uma chegada providencial de Roberta da Fonte no sábado à noite pra dar uma forcinha pra encher a banheira, né Beta?



Fui internada na sexta, dia 17, mais ou menos às 13h. Pouco depois começamos com a indução do TP com ocitocina. Como vocês sabem, eu desenvolvi hipertensão gestacional no final da gravidez (detectamos a partir da 36a semana) e a eliminação de proteína na urina foi aumentando gradativamente, chegando, na 3a feira, dia 14/09 (38 semanas) a 287mg/24h (o indicativo de pré-eclâmpsia é a soma de pressão a partir de 14X9 e 300mg de proteína eliminada na urina em 24h). Nesse mesmo dia começamos um lento processo de indução do parto de Daniel, com descolamento de membranas (3a à noite), aplicação de comprimido vaginal de misoprostol para melhorar o colo do útero (4a e 5a), até a internação na 6a, com uns 3cm de dilatação,mas com o colo grosso, o que é esperado para 2o filho.



Fui internada no hospital Santa Joana na sexta, mais ou menos umas 13:30, quando comecei com a ocitocina na veia. Pouco a pouco as contrações foram aparecendo, curtas, próximas e fracas, praticamente sem dor. À medida que as horas iam passando, elas iam ficando mais fortes, mas ainda nada de muito efetivo. A cada exame de toque pra verificar a dilatação, notava-se progresso, mas pouco. Tudo muito lento.



Muitas horas e alguns toques dolorosíssimos depois (pois a cada toque Leila e Brena aproveitavam para dar uma "mexida", manipulavam o colo, descolavam membranas, etc, o que fazia o TP evoluir bastante em menos tempo), na madrugada do sábado para o domingo, acho que entre 2h e 4h da manhã, as contrações simplesmente foram diminuindo de intensidade e SUMIRAM, parou TUDO. Como minha mão que tava com o soro tava doendo muito, achamos que aconteceu algo ali e o soro parou de passar. Troca a mão, troca o soro e nada. Brena e Leila deixaram a ocitocina correr solta. NADA de voltar contração. Não retomava. Conversamos, fizemos uma sessão de "análise", chorei...mas só retomou o TP depois de mais um toque, cheio de mexidas e muita, mas muita dor... Mas aí foi retomar do ZERO, umas 5h da manhã do sábado.



Umas 9h da manhã, as contrações já boas, com uns 7 pra 8cm de dilatação, como Daniel tinha baixado bastante, resolvemos romper a bolsa artificialmente; a partir daí as dores ficaram mais fortes. Só aí eu senti as famosas dores horrorosas com ocitocina. Sim, porque até então tava tudo beleza. Mas aí eram umas dores que me cortavam ao meio, só que as contrações eram curtas (pro padrão do meu corpo, porque com Gabriel elas eram longas, de 1minuto e meio, e espaçadas, as mais próximas vinham de 10/10 minutos e no expulsivo 5/5 e olhe lá, mas muito eficientes e não doíam tanto). Nesse TP dependente da ocitocina (sim, porque testamos algumas vezes e vimos que se diminuisse/tirasse a ocitocina meu corpo não respondia sozinho), elas eram curtas - máximo de 50s, e próximas, 3/3 minutos.



Nesse ponto Leila e Brena pediam que que quando viesse a contração eu me acocorasse e fizesse força, pra ajudar Daniel a descer mais, e a cabecinha dele ajudasse a terminar a dilatação do colo. Mas eu não conseguia. Tentei de tudo que é jeito me acocorar, a dor na virilha atrapalhava, as meninas me sustentavam com o rebozo (lenço mexicano que as parteiras usam), usava a banqueta de parto, me abraçava a Aleks, usava a bola, e nada. A dor era tão forte que eu não conseguia me concentrar pra fazer força, fora a dor na virilha incomodando muito. Foi quando perto das 13h, mais um toque DE MATAR. 8 pra 9cm, Daniel muito mais baixo... só que depois desse toque eu fiquei ACABADA, e Leila me perguntou se eu não cogitava a hipótese de tomar analgesia, até porque há estudos que mostram que em determinados trabalhos de parto ela ajuda a relaxar o colo e a dilatar mais rápido. Eu não sou contra analgesia, mas sou do time de que se puder evitar, melhor. E naquele momento ali o que me faltava era um jeito de eu me sentir melhor, mais confortável, pra poder me concentrar. O meu MAIOR DESEJO era poder entrar na banheira, que ironicamente estava pronta e cheia (já que muitas vezes se falava que o parto de Daniel seria tão rápido que não ia dar tempo de enchê-la), mas eu não podia usar, porque diante das paradas de progressão, tínhamos medo de que eu entrasse, relaxasse demais e parasse tudo de novo (com Gabriel, quando eu entrei na água da primeira vez, o TP deu uma parada).



Então pensei, pensei... e vi que pela dor eu ainda aguentava, meu problema não era a dor, era não encontrar posição favorável. E eu sabia que faltava pouco tempo de muita dor, era só aquele finalzinho de dilatação do colo, a pior fase...Mas logicamente estava a ponto de fazer 24h de internação/trabalho de parto induzido e o fantasma do cansaço não deixava de rondar. Foi quando me deu o estalo, que eu já tinha cogitado antes, mas não fui: ir pro chuveiro com a banqueta de parto.



Fui pra lá com Aninha Katz e Dani, e a coisa mudou de figura. Apesar das dores ainda muito fortes, a água quente nas costas foi um santo remédio, dava uma boa aliviada, e com isso eu consegui me concentrar e começar a fazer força. Como eu sempre comentei, desde o parto de Gabriel, mais uma vez eu vi a importância de se saber fazer força corretamente, o que eu aprendi na fisioterapia, essa respiração + força direcionada, respirando enchendo a barriga de ar, e onde você expira o ar e faz força ao mesmo tempo. Conversamos e falei a minha decisão: não ia tomar analgesia, e não queria mais toques. Tava perto de dilatar completamente, então logo eu entraria no expulsivo, e meu limite seriam os batimentos de Daniel.



Aninha e Dani foram almoçar, e Leila ficou comigo no banheiro. Depois de umas duas contrações e eu conseguindo fazer força, senti um "ploc", e falei pra Leila "será que foi o término da dilatação e ele tá conseguindo descer? Leila então tentou tocar pra ver, mas veio outra contração, e ela não conseguiu. Ela ainda pediu pra ver se eu conseguia tocar, mas não consegui, nova contração, mais força, daqui a pouco só escuto Leila dizendo ELE TÁ AQUI: e aí comecei a sentir a descida de Daniel; senti tudo, bem tranquilamente, fui fazendo a força com as contrações, que como esperado já não doíam tanto, senti novamente o "círculo de fogo", mas bem suave, daí a um pouco nasce meu segundo filho, mais uma vez aparado por Leila, com uma circular estilo "faixa de miss", saía do pescoço e descia pelo tórax. O novo papai Aleks cortou o cordão depois que parou de pulsar.



Pronto, depois disso, foi curtir meu pequenino, que recebeu os primeiros cuidados lá no quarto mesmo, com a pediatra de plantão, enquanto Dra. Danielle não chegava, mamou muito bem, daí fui com ele pra banqueta, uma forcinha e pronto: nasceu a placenta, rapidinho, sem dor, sem problemas. UFA!!!!



Depois disso, Brena e Leila me examinaram e períneo íntegro, só uma besteirinha na mucosa que não requereu pontos. VIVA!!!!



É isso, acho que consegui transmitir um pouco do como foi todo o processo para o nascimento de Daniel, uma experiência completamente diferente do parto de Gabriel, mas igualmente transformador.



Beijo,



Nelia