Mostrando postagens com marcador parto normal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador parto normal. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 16 de março de 2012

Nasceu o Bento de um lindo parto domiciliar (15/03)

Nasceu Bento!!!! De lindo parto domiciliar, um tanto prolongado, visto a lua minguante, 16 horas de franco trabalho de partoe mais 24 horas de pródomos, estávamos eu (Danieli - parteira), Lauro (o pai) e Luiza (a linda protagonista da história). Forte guerreira, iluminada Luiza foi perseverante e centrada, mas quando ela me disse que já não aguentava mais, ah isto geralmente soa bem aos ouvidos de uma Parteira, pois na maioria dos casos significa que já está bem perto da chegada, do expulsivo. Daí entã, poucos minutos depois veio a bolsa das águas ainda íntegra saindo pelo canal vaginal como uma lua cheia, a bolsa foi vindo e rompeu naturalmente e me banhou de líquido aminiótico e às 18:12hs chegou BENTO! 3.250g e 52 cm. Mais um bebê chega ao mundo com a ajuda do GESTAR. Que todos os Deuses e Deusas abençoem a nossa caminhada.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Exercícios de Kegel

* Por Nicole Silveira


Exercícios Kegel trabalham para condicionar os músculos de seu pavimento pélvico, reforçando o seu útero e reto. Ele é o favorito das mulheres grávidas, pois pode facilitar significativamente o processo de parto, bem como aumentar a velocidade de cicatrização pós-parto. Exercícios Kegel exigem pouco esforço físico e são fáceis e seguros de realizar.
Ele oferece suporte aos seus órgãos pélvicos, incluindo seu intestino, bexiga, útero e vagina.

Benefícios:


Os benefícios de fazer kegels durante a gravidez são aparentemente intermináveis. Podem ajudar a:

* Tornar mais fácil empurrar durante o trabalho de parto
* Tonificar os músculos vaginais
* Sara feridas de episiotomia
* Aliviar incontinência pós-parto



No entanto, os benefícios não são apenas limitados a gravidez. Praticar exercícios Kegel regularmente também pode ajudar a:

* Melhorar seus orgasmos e desenvoltura sexual
* Minimizar as chances de desenvolver hemorróidas
* Ajudá-la a evitar incontinência mais tarde na vida


Como fazer

Realizar os Kegels é realmente muito fácil. Uma vez localizado os músculos pélvicos, apenas contraia-os. Segure essa contração por três segundos e, em seguida, solte. Relaxe por três segundos e continuar, como quando seguramos a urina e depois soltamos, porém sem ser neste momento (rsrs).
Eu realizava também este exercício de cócoras.

Kegels em Qualquer Lugar!

Esteja você no chuveiro, assistindo um filme, ou sentado em frente do computador no trabalho você pode fazê-los. A melhor parte é que os exercícios de Kegel podem ser realizados em qualquer lugar.

Lembrar expirar na contração e inspirar no relaxamento.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Fortalecimento do Assoalho pélvico

* Por Nicole Silveira

Muito importante praticar estes exercícios para fortalecimento do assoalho pélvico e o períneo, para as mulheres que pretendem ter um parto normal e querem uma melhor desenvoltura sexual, estes exercícios fortalecem a musculatura perineal e dão maior controle desta área.
Comecei a fazê-los a partir do 6° mês de gestação para preparação para o parto normal, tendo em vista que minimizam bastante possíveis lacerações e até evita a necessidade de episiotomia (corte lateral ou até o anus para aumento da passagem do bebe). Uma mulher precavida valem por 2...E meu parto foi muito bom e sem lacerações e episiotomia.


Seguem vídeos muitos bons que encontrei na net de exercícios de Yoga para abertura do canal de parto com a Professora Carmela:


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Relato de parto em forma de Poesia

*Por Nicole Silveira

Quando li este relato de parto, me emocionei, pois revivi o meu...
A Anna Márcia conseguiu transformar em poesia seus sentidos e instintos femininos aflorados. Parabéns querida!



Parto reparto


Deu vontade de reviver teu parto
Então reparto essa loucura
Como pode tanta dor dar saudade?
A vida que invade da dor me cura

O calor que sua
O frio na espinha
Minha vida agora é tua
Tua vida já não será minha

Abro, me abro
Me parto em duas
E são tantas vidas
Nesse quarto, nuas
Encontros e despedidas
Dia de Sol, dia de Lua

Grito, empurro
Já não cabes mais em mim
Te chamo  num sussuro
Nosso parto está no fim

Parto, reparto
Eu já deixo você vir
Choro, te imploro
A tua vida parir

Te amei nesse segundo
O primeiro nesse mundo…

De pranto em riso
Teu corpo liso
Meu maior encanto

O teu parto
No meu quarto
Te agradeço tanto

Num abraço, num instante
Eu filha, eu mãe
Mulher partida

Me refaço, delirante
Eu mãe, eu filha
Mulher parida

02.12.2010 para Mattias



Relato de Parto Anna Márcia - Tudo: desde o começo

* Por Anna Márcia Gallafrio

Descobri a gestação na minha última semana na Irlanda, depois de um ano vivendo naquele país com o Rô. Estava concluindo um grande sonho, o curso de coaching com a melhor equipe do mundo no ramo. Tínhamos voltado de um mochilão de 4 semanas na Europa. Gastamos até o último Euro dos poucos que conseguimos juntar em Dublin. Eu trabalhei na limpeza de banheiros de um banco, o Rô trabalhava no mesmo banco e fazia pães de queijo (deliciosos) para ajudar no orçamento. Enfim, eu tinha todos os motivos para ter certeza de que ele era o homem certo, que me apoiou quando pedi demissão no Brasil para investir no curso dos meus sonhos no auge da crise europeia em 2008. O Rô tinha voltado pro Brasil uma semana antes de mim.

Lá estava eu há 3 meses sem pílula, há uns dias atrasada, com a memória daquele amor no hostel em Paris…será?

Liguei pro Rô chorando, não tinha coragem de fazer o exame, o que seria de nós dois desempregados, duros como nunca? Ele disse: vai fazer o exame, se der positivo vai ser a melhor coisa que já aconteceu em nossas vidas!

Eu fiz e “a melhor coisa das nossas vidas” apareceu em dois riscos cor-de-rosa. Fiquei quase uma hora olhando para os riscos e chorei para ele pela primeira vez : “é o meu menino”.

Cheguei ao Brasil e todo mundo foi pra casa da minha irmã numa tapiocada. Era muita gente então resolvi contar só no dia seguinte. A primeira coisa que minha irmã fez foi ir comigo no dr Evaldo, médico da família toda e de amigas, autor da cesárea de todo mundo, “um fofo”. Comecei o acompanhamento com ele, adquiri um convênio beeem fuleiro e com 7 semanas o sangue da nidação (período da implantação do embrião no útero) me levouao primeiro US no São Luiz. Estava amando a ideia do bebê, assustada com o sanguinho marrom e TUMTUMTUMTUMTUM ouvi o coração dele disparado a bater. Que alegria! Eu chorei por ele de novo, abraçada com o Rodrigo.

A gravidez ia bem, uma fooome que eu tinha que comer logo que acordava para não enjoar. Uma melancoliiiiiia que eu chorava até no comercial do Itaú. Chorava vendo pedintes na rua, uma comoção só.

Foi aí que uma dor nas costas fez o Rô ligar pro amigo dele massoterapeuta André para me tratar. Ele estava atendendo num lugar dedicado a mães, olha só! Pra quem não acredita em coincidências, veja . Foi minha primeira vez no GAMA. Ele falou de leve sobre doulas, parteira, os partos da Mirella em casa…fiquei curiosa e passei os outros 3 dias lendo freneticamente os relatos de parto da Parto do Princípio, além do livro da Ana Cris sobre parto normal ou cesárea. Entre lágrimas, muitas lágrimas, eu lia e relia, e lia pro Ro, e lia pra minha amiga, e lia e chorava loucamente.

Na quinta feira fui na reunião , com 16 semanas e amei. Falei que queria “talvez quem sabe” um parto domiciliar (PD) e com certeza um Parto Natural Hospitalar (PNH). Depois de umas 3 reuniões, eu perguntei pra AC: posso falar assim “vou TER um PD?” E ela disse “claro,  se é o que você quer vc VAI .”

Fui pra casa leve, feliz. De alguma maneira antes eu lia os relatos de PD e achava essas ulheres extremamente bem aventuradas, poderosas e sortudas. Naquele dia me incluí no grupo e apaguei a ideia de que tinha que tudo estar “muito perfeito” para rolar um PD. Tinha que ser baixo risco, tinha que ter grana, tinha que enfrentar tabus, tinha que rolar quase que um alinhamento dos planetas para acontecer!!!

Bom, se tinha ou não, já não importava; eu ia ter um PD e a Ana Cris deixou eu falar isso!!! ahahaha

Comecei meu pré-natal com a dra Catia Chuba porque a AC ia estar nos Estados Unidos em Abril. E meu filho ia nascer em Abril, contei pra vocês? A data prevista do parto (DPP) era 16/04 (aniversário da minha sogra) e com 42 semanas batia 30 de abril (aniversário da minha irmã), ou seja, era Abril e pronto, acabou.

A última consulta com dr Evaldo foi com 20 semanas, ele perguntou se eu já tinha decidido prestar homenagem à sogra. ( ??? ÃNH, fazer a cesárea dia 16 pra alegrar a sogra??? ). Ele também disse que faria meu Parto normal (PN) desde que a bacia desse passagem, o imbiguinho não enrolasse no pescoço, o tamanho dele fosse compatível, enfim, eu dependeria de novo do alinhamento dos planetas, então fugi dele.

Tudo correu bem até o ano novo em Itanhaém quando uma febre e uma dor no flanco me levaram ao PS e o diagnóstico de Infecção do trato urinário (ITU)  me deixou internada por 7 dias, os 7 primeiros de 2010. Para meu desespero o médico escreveu no prontuário “TP prematuro” e eu chorei. Não PODIA ter um trabalho de parto prematuro!! Como assim? E meus sonhos? E meu PD? Cheguei a ter contraçãoes de 3 em 3 minutos por uma hora, sem dilatação, indolores, mas fortes. Tive vômito, desmaio, fora antibioticoterapia na veia a cada 4 horas, uma benzatacil às 5 da manhã, para o prazer sádico da enfermeira mais odiosa do mundo. ( ver foto)

Ufa! Tive alta e jurei nunca mais precisar de hospital. A essa altura do empoderamento eu sabia que podia me jurar isso.

Reuniões no Gama, consultas com a Cátia, lista materna do yahoo grupos, livro Parto Ativo, livro de  Michel Odent- O renascimento do parto…minha mais prazerosa atividade era aprender sobre gestação, parto, obstetrícia e maternidade. Eu devorei tudo que podia, várias coisas eu mostrava e lia pro Rodrigo. Indignado com minha obstinação, mas já ativista da causa junto comigo. Lá pelas tantas com umas 37 semanas eu relaxei porque poderia ter meu PD, a AC não ia mais pros USA e eu desisti de reformar a casa. O tempo ia passando e as pessoas queriam saber : “pra quando é? ”

A pergunta que não se cala…

Um dia falando com o Rô e meio P* com a insistência de uns eu chamei inconscientemente a responsa: “também, se ele vier com 42 semanas eu vou é levantar a bandeira do parto natural ainda mais, servir de prova de que bebês nascem, vou entrar pro time da Fê Mouco! ”

ahaha

Algum anjo ouviu e disse “amém”.

Tudo pronto pro PD. 40 semanas!!!! 41 semanas…..! Fiz um US com 41+3 e o médico surtou: “Como assim 41+3??? Esse bebê ainda não nasceu? Tem alguma coisa errada! ” Eu disse “Não, doutor, é isso mesmo, 41+3. Me diga você se esse bebê tem motivos para estar aqui fora.” Ele checou tudo, placenta, líquido amniótico, tamanho, coração, etc…..realmente, não tinha porquê tirar o bebê à força.

As meninas da lista materna e no GAMA dando a maior força…mas eu não sentia nada de diferente. Com 41+5 fiz descolamento de membrana, não doeu nada, eu tinha 3cm de dilatação, o Rô tocou o colo do útero e sentiu a cabeça do bebê, que emoção! Conversamos com a AC que, firme, me passou toda segurança e prescreveu fazer amor. Daí conversamos com a Cris Balzano, minha doula doce que me ouviu questionar : ”O que é que ainda faltava dentro de mim para entregar??” . Ela sugeriu então que eu escrevesse pro Mattias, compartilhando meu momento e chamando ele à vida na Terra. Eu sempre gostei de escrever. Tenho meu lado poeta, adoro arriscar meus versos…Mas por algum motivo não tinha conseguido escrever pra ele. Eu declarava minha vontade de conhecê-lo, sim, mas em meditação, em oração, em voz alta…não por escrito.

O Rodrigo acha que o jeito que eu melhor me expresso é por escrito. O que eu precisava era de inspiração para desabafar no papel.

Na sexta pela manhã o Rô me chamou no quintal para mostrar uma orquídea que desabrochara naquele dia (veja foto). Aliás, várias outras plantas estavam germinando…e eu entrava na 42 semana. Cadê meu bebê? Olhei em volta ,olhei pro céu, sentei pra escrever pra ele. A carta surgiu .

Carta ao Mattias

Deixa eu falar que hoje eu to mais cheia que a Lua
Que a nossa primeira orquídea desabrochou
Que toda a noite eu penso se será a tua
E de manhã vejo que você não chegou
Mas escuta que aqui fora eu juro
Que não é tudo sempre escuro
Que às vezes o melhor mesmo é chorar
Até perceber que a noite também tem luar
Mas hoje eu sinto o Sol
Que faz nutrir a flor
Mas e hoje ao pôr-do-Sol
Será que EU suporto a dor?
Será que a Lua ela mesma adivinha
Se já é hora de se deixar minguar
E escondida se fazer novinha
Antes que cresça alguma noite a brilhar?
Do mesmo jeito que a flor se abria
Ao calor do Sol essa manhã
Me diga, Lua, se o Sol permitiria
Que a minha flor se abrisse dessa noite pra amanhã.


30.04.2010
Li pro Rodrigo, ele chorou e eu virei as costas feliz. Eu chorei muito escrevendo. Foram 10 minutos intensos. Antes do banho, o Rô quis fazer um toque  e sentiu de novo a cabeça do bebê “tem cabelo!”. Daí saiu uma clara de ovo, bem transparente e viscosa. Eba! Adoro tampão, disse a Ana Cris por torpedo.

Fomos pra acupuntura e eu tinha contrações na Marginal. Sempre tive, desde umas 30 semanas era assim, bastava entrar no carro. Sexta-feira à noite. 20h. A dra Eneida nos atendeu super bem, eu deitei na maca e meditei enquanto ela aplicava as agulhas e depois fez mochabustão para aliviar um torcicolo.

Ufa! Eu estava antes na dúvida se precisaria mesmo da sessão, mas percebi logo que o processo acelerou quando desci as escadas para ir embora e tive uma put* cãibra na verilha e agachei na hora. Esperei ali mesmo o Rô ir buscar o carro. Não dava conta de andar, não! Minha irmã ligou (novidade), era aniversário dela e tava todo mundo lá. Resolvemos não ir e relaxar em casa. Ainda fiquei um tempo na lista e 23h a gente tava já dormindo. (Incomum, sempre deitava mais de 1h).

Acordei com vontade de fazer número 2!! Olhei no celular e era 1:41 a.m. Eu sempre fazia xixi só lá pras 5 da manhã, então isso me chamou a atenção. Voltei pra cama e 1:46 estou eu olhando no celular de novo: número 2 urgente!!! ! 1:51 de novo, meu Deus! 1:57 novamente!! E 2:02 again…cara, fui tantas vezes no banheiro que resolvi lavar o vaso pra não ficar cheiro ruim. Já sabia que o Mattias ia chegar e não queria banheiro fedido. Mas daí ficou cheiro de Pato desinfetante e resolvi pegar uns incensos, ahahha.

Intestino e banheiro limpos, eu deitei de novo na cama e sentia as contrações vindo, como cólicas, mas eram elas, inconfundíveis. Eu nem abria os olhos e só respirava, gemendo um pouco e pensando na flor que se abria. O Rô não ouviu nada e continuava dormindo. Depois de um tempo não consegui mais ficar deitada. Busquei colchão na sala, edredons e travesseiros, peguei velas, incensos e FIZ MEU NINHO! Às 3:30 mandei um torpedo pra Cris e Ana Cris que eu já estava há uma hora tendo contrações de 5 em 5 minutos e queria entrar na banheira. Me imaginei passando a manhã naquela banheira. Conferi que elas receberam o SMS e daí a concetração em mim mesma e no bebê foi cada vez maior. Só sei o horário daqui pra frente pelo celular e pelo que o Rô depois contou.

Tive que acordar o Rô porque percebi que estava saindo do planeta Terra. “Rô, quando você acordar me avisa, preciso falar sério com você.” (ele demora pra acordar, abriu os olhos, reclamou das velas, do incenso no banheiro fechado e minúsculo, da bagunça.) Daí me viu de quatro na pilha de travesseiros e disse: “O que vc queria?”. Eu disse: “Amor, estou há 1h com contrações de 5 em 5. Quando vier uma NÃO fale NADA e NÃO toque em mim.”

Na primeira contração ele pegou no meu braço e disse: força linda!

“Que parte de `Não tocar em mim e Não falar nada` vc não entendeu?”

Repeti as intruções. Acho que demorou umas 4 ou 5 vezes para ele entender os dois comandos. Fui dura com ele. Acho que era a tal da partolândia.

Fui pro chuveiro, apoiava na parede e rebolava enquanto a água quente caía na lombar. E dói a lombar, hein? O Rô falava: Amor, tá de 3 em 3. E eu ficava P*** “não queroooooo saber os minutossss”. Meu medo era de o negócio involuir  e eu prestar muita atenção nos minutos.

Vinha outra e eu gemia alto, com a água quente ligada. Ele: “veio outra?” ( que pergunta!!” Não, tô treinando meu si bemol, claro que veio outra!” )  ele falava: “não, amor , é que tá de 2 em 2. AAAAAAAAAAAAAAh Não quero saber os minutos por***

O Rô sumia às vezes…eu chamava ele. Saí do chuveiro, voltei pros travesseiros, estava frio e eu pus o roupão, mas quando veio a contração eu arranquei o roupão, não queria que nada me tocasse. E dá-lhe dor na lombar. Já não estava fácil arranjar posição. Dor na lombar…Vontade de entrar na água…sentimentos confusos…eu pensei em entrar num hospital…e o pensamento foi embora como veio…confuso…Cadê a minha doula? Cadê o Rô? Meu, ele sumia! Quero o Rô, eu não vou aguentar muito tempo, meu Deus…será que eu dou conta mesmo? Cadê a Cris? Ela vai me dizer que eu consigo, cadê elaaaaa???

Falei que queria voltar pro chuveiro, mas veio uma contração e eu me joguei no chão gelado do banheiro. Vomitei. Nossa tudo junto! “Rô liga pra Cris, fala que ta doendo!”
Foi quando eu olhei pela janela e vi que estava claro. Cara, to aqui há horasssssssss, cadê as meninas? Acho que num vou aguentar!!! dói!!! Isso eu não falava, só pensava. Ouvi o Rô falar pra Cris que tava de 1 em 1 minuto. Nossa, eu estava sem noção de tempo mesmo.

Aí as contrações estavam diferentes, não bastava rebolar, a água não bastava. Me “veio”um grito de lá de dentro. Um grito de aaaaaaaarghhhhh, incontrolável, um grito de força, vontade de agachar. Puts! tava com vontade de fazer força!! E o medo de fazer força na hora errada? Será mesmo que é a hora? E se eu fizer força na hora errada e ficar com rebordo de colo? Eu li na lista que dói pra caramba reduzir rebordo de colo! Ai, mil coisas me confundiam …

Nos intervalos entre as contrações era confuso. Mas quando vinha uma era como uma onda enorme, de força avassaladora e a única coisa na mente era a entrega e um humilde pedido de “abre-me” diante da gigante que me tomava com a onda. Quando a Cris Balzano chegou eu estava no chuveiro ainda, ela me olhou nos olhos. “que bom, Anna, chegou sua hora, está tudo certo, deixa seu filho vir.” EBA!! Minha fada doula havia chegado. Essas palavras de paz e incentivo chegaram na hora de maior dor (?? é essa a palavra??), de maior confusão, e vontade de que passasse logo. Ela me pediu para deitar que ia fazer um toque. Eu estava super desconfiada. No fundo, um receio de ouvir “4 cm” e desistir. Eu não ia desistir.

Deitei e não senti dor no toque. A Cris disse que a dilatação era total ou quase total e que a cabeça dele estava bem baixa. Lá fui eu buscar posição, dessa vez fora do chuveiro, de pé apoiada no armário. Eu não podia aguentar nenhum toque nas minhas costas. Justo eu que sonhava com as massagens durante o TP…

Daí ouvi a Cris no telefone com a AC. Ela disse : ” Ana Cris, Anna Márcia no expulsivo, pode vir.”

Anna Márcia no expulsivo?? Gente, to no expulsivo!!!! Foi minha mensagem telepática pra todas da lista materna, pra todas mulheres do mundo, haviam muitas do meu lado, naquele quarto, naquela hora. Eu to no expulsivooo!! Néctar aos meus lábios, música aos meus ouvidos. Tô no expulsivo. Há! Eu estava prestes a (re) conhecer meu filho Mattias.

Procurei posições, mas era uma fase já bem diferente. Uma vontade de gritar. Eu estava de joelhos, o Rô na frente e quando vinha uma eu me jogava de quatro, a cabeça no meio das pernas dele, as mãos abraçando meu amor. Saiu bastante tampão. A Cris disse que o Mattias estava bem tampado, por isso demorou 42 semanas.

A AC já estava em casa quando eu senti uma dor MUITO forte, ainda nessa posição. Parecia uma pedra apertando minhas vértebras, sei lá. Foi bem na lombar , onde o nervo pinçado havia me levado ao GAMA. Lembrei do André dizendo que o bebê faria movimentos álgicos ( pró dor ) e que isso era bom. BOM??????? Meu Deus, a palavra é DOR. Essa sim, DOR! Foi um giro do bebê lá dentro, e que botou no lugar a minha vértebra escoliótica.(botou no lugar mesmo, nunca mais tive dor). Absurdamente incontrolável. O Rô diz que foi a única hora que eu falei palavrão e que a AC arregalou os olhos.

A AC me perguntou se eu queria deitar. Tudo que eu queria era deitar de lado. Lá fui eu. Quando vinha uma o Rô me ajudava pondo o joelho contra meu rosto. Eu fazia muita força. E depois que passava eu dormia de sonhar que o Mattias já estava correndo pela casa. Louca. Daí vinha outra e o Rô disse que estava vendo a cabeça descer e subir. Eu sentia tudo. Essa é a grande maravilha de um parto sem anestesia. Eu SABIA onde o Mattias estava. Tão perto… Me lembro de perguntar pra AC: “vou conseguir?”E todos responderam: “você já está conseguindo. ” Os puxos têm intervalos maiores e eu sonhava entre eles, quando vinha outro eu sentia que estava voltando de um sonho.

 A última posição foi de cócoras na banqueta verde. Foi assim que eu me percebi no expulsivo, finalmente, entendi o que tava rolando. Tinha um espelho grande atrás da AC, um pequeno espelho na mão dela, uma lanterna com a Cris, eu na banqueta e o Rô atrás de mim. Eu estava fazendo uma força longa, com grito longo e a bolsa rompeu. A AC então me pediu para mudar o jeito da força. Eu enchia o peito todo de ar, fazia a força no topo da barriga e segurava a força lá pra baixo.. Até o fim da contração-puxo dá pra fazer isso umas 3 vezes. Eu olhava nos olhos da AC e o medo passava.

Ela disse que a cabeça estava aparecendo. Falou para eu tocar o cabelinho, mas eu não quis, eu sabia onde ele estava, exatamente e não queria me desconcentrar daquilo. Eu suava…não pensava que ia suar no meu TP, pensei em dividir isso com a lista, o quarto todo suava, os espelhos também. Vinha um puxo e eu olhava pra AC. A Cris falava palavras de incentivo, o Rô me abraçava, que o Matt tava chegando. Quando passava eu me jogava pra trás, pra descansar.

Olhei no espelho e vi uns 2 dedos de abertura na vagina, um cabelinho entre os lábios. Senti muita pressão no ânus. Parecia que ia rasgar e sair por ali. Falei isso e a Cris me disse que era normal, que não ia sair por ali e que ele ia girar e sair pelo lugar certo, que eu podia na próxima sentir o círculo de fogo. Ai que aflição. Não queria sentir círculo nenhum. Eu lembrava dos relatos que tinha lido e não lembrava de ninguém suando, mas eu suava! “Preciso lembrar de por isso no meu relato…”

 (não senti círculo de fogo) Na próxima força, senti a cabeça descendo e me abrindo completamente até que ela saiu. NASCEU! NASCEU! Senti os ombros saindo, um depois o outro, e o corpo escorregar de dentro de mim. MEU FILHO CHEGOU!!!

Essa emoção é difícil descrever. êxtase. Não há mais dor nenhuma, zero. Eu vi meu filho que chorou alguns segundos depois e veio pro meu peito. O cordão era meio curto e eu fiquei tortinha para poder abraçá-lo. O corpo quente, saindo fumaça, era a coisa mais linda ,escorreguenta e gostosa que eu já tinha abraçado. O Rô tava chorando, eu não conseguia parar de rir nem de olhar pra ele.

O cordão era bem mais grosso que eu imaginava. Senti o pulsar que ainda unia nós dois. O pulsar que levava do meu coração todo amor e oxigênio que entrava nele. Meus olho se encheu de lágrimas. Depois que parou de pulsar o Rô cortou o cordão. E o Mattias chegou as 9:05 da manhã de um lindo sábado de sol. Quem disse que ele nasceria em Abril? Nada! Primeiro de Maio. Feriado. Dia do trabalho à dor. Dia do trabalho…de parto. ahahahaha

Curiosidades:

No expulsivo, a hora que eu perguntei se eu conseguiria, não me dava conta racionalmente do quanto pouco faltava. TP é instinto e não racional.

O quarto estava quente, à meia luz, os espelhos e vidros transpiravam. Pura energia, densa, pesada, dava prea sentir sobre a cabeça.

A placenta demorou 1h30min para sair, fiquei inalando ocitocina e tomei 2 injeções de ocitocina, para ajudar a contrair o útero. Mas quando eu pari, foi puro prazer: molinha, quente, parece um shitakão de mais de quilo. Pra-zer.

Ele mamou na segunda hora de vida, depois de saída a placenta. Até então ficou lambendo e tentando, e lambendo….e dormindo…

Tomei 2 pontinhos internos e 1 externo na região perineal e a recuperação foi ótima. Superou minhas expectativas.

Não tivemos pediatra na hora, mas a parteira deu nota 9 e 10 de Apgar. ele pesou 3620g – eu não imaginava o tempo que ia demorar para ele superar o peso de nacsido ainda… Outro capítulo.

Agradeço :

ao Mattias. You did an excellent job.

AC, você é incrivelmente forte e intuitiva.

Cris minha doce doula.

Rodrigo, sem palavras para descrever nossos 3 dias olhando nosso filho e chorando. eu te amo.

Lista materna, meu vício mais sadio. eu cheguei aqui, eu pari porque sabia dessa rede de apoio.

A todos que torceram a favor,

OBRIGADA!

com amor,

Anna Márcia

Parteiras do Nordeste : Forúm Mundial da Saúde 2012

* Por Nicole Silveira

A querida parteira Maria dos Prazeres esteve como convidada no Fórum Mundial de Saúde 2012 em Porto Alegre, representado a Associação das Parteiras Tradicionais e Hospitalares de Jaboatão dos Guararapes lá falou sobre  o trabalho das parteiras tradicionais e sua grande importância para a saúde da mulher nos locais que atuam.
Prazeres ressaltou "para ser uma parteira tradicional não precisa ter avó ou mãe parteira,mas as mulheres que guardam esta tradição milenar são também parteiras tradicionais". Segundo ela e também artigos na net sobre o evento, ela emocionou os presentes com seus relatos e experiências do partejar.


"Aos 74 anos, a parteira Maria dos Prazeres ainda se emociona ao falar sobre sua experiência, que lhe proporciona estar sempre próxima da vida. Ela é uma das mulheres que representam a Rede de Parteiras Independentes do Nordeste no FST. A fala espontânea reproduz uma mensagem importante: a de que a profissão deve ser reconhecida. “Vi um dia uma pessoa falando que realizou um parto na rua e que ficou emocionada. Uma pessoa que faz mil partos, como uma parteira, está navegando na emoção”, exemplificou Maria, que ainda falou sobre os desafios e dificuldades da profissão. “Parteira é uma profissão milenar que deve ser reconhecida”, complementou."
http://www.blog.saude.gov.br/forum-destaca-importancia-das-praticas-culturais-na-promocao-da-saude/


Nos sentimos muito orgulhosas dessa mulher-militante que luta pelo reconhecimento e valorização do ofício das parteiras, é um exemplo de garra e determinação a favor do parto humanizado, natural e que respeita o ser humano. Viva as parteiras!
Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, existem em Pernambuco 1026 parteiras tradicionais, das quais 887 atuam na área rural, 93 da zona urbana e 46 nas duas regiões.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mais bebês nascem! Bem-vindos: Mel e Benito

Querid@as mamães!

Gostaria de dar as boas vindas a pequena Mel filha de Tairini e Renan, que nasceu no ultimo dia 25/01 pesando 3,380 Kg e 47 cm, muito linda e fofinha de um parto cesárea, com acompanhamento de trabalho de parto pelo Gestar.
Parabéns querida pela força e determinação. Muita luz para sua pequena!




Nasceu em 27/01 o Benito filho de Moa e Hélida, com 4,9 Kg e 52 cm GRANDÃO, um bebe lindo e muito fofo! como bem escreveu o pai em seu perfil no Facebook! Um parto domiciliar e na água atendido com o apoio do Gestar pela Parteira Danieli Siqueira .Benito já nasceu quebrando paradigmas que bebês com mais de 4Kg tem de nascer de parto cesárea, eles provaram que não e tiveram uma experiência linda, emocionante e marcante. Parabéns!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Mitos sobre o parto normal

* Por Nicole Silveira

Alguns mitos e desinformação levam as mulheres todos os dias a um parto cesáreo desnecessário como:
  • Circular de cordão
  • Não tem dilatação
  • Não tem passagem
  • A bolsa não estourou
  • Medo da dor do parto

As cesarianas são intervenções cirúrgicas com a intenção de aliviar as condições maternas ou fetais quando há riscos para mãe e/ou feto, durante a gestação ou no trabalho de parto. Estes procedimentos, entretanto, não são isentos de risco, pois estão associados a maiores taxas de morbi-mortalidade materna e infantil (RATTNER, 1996; MARTINS-COSTA et al, 2002).  

Estudos empreendidos apontam que a alta prevalência de bebês prematuros parece estar relacionada, em grande parte, às cesarianas e às induções do trabalho de parto realizadas antes da completa maturidade fetal. Estes fatores têm sido apontados como umas das principais causas de morbi-mortalidade perinatal destacando-se, entre elas, a síndrome de angústia respiratória do recém-nascido. Fetos de 37 a 38 semanas de gestação possuem 120 vezes mais chances de apresentarem essa complicação quando comparados aos fetos com mais de 39 semanas (BARROS et al, 2005; LEAL et al, 2004; MARTINS-COSTA et al, 2002).

Em relação à mortalidade materna, outros estudos mostram que o risco para este evento é 2,8 vezes maior nas cesarianas eletivas sem emergência do que no parto vaginal (WAGNER, 2000; RCOG, 2001).




É também fundamental questionar quais serão as conseqüências futuras deste número excessivo de cesarianas, realizadas muitas vezes sem uma indicação médica precisa e sem que as crianças tenham atingido seu completo potencial de desenvolvimento. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fotos do Parto de Nicole, a linda flor Hadassa nasceu!

A Hadassa veio para trazer muita felicidade a sua família. Em volta de bastante emoção e amor nos a recebemos. Te amamos nossa linda flor!

Em 19/09/11 as 08:50h da manhã, em um parto natural,domiciliar e humanizado.
Era uma segunda-feira.
Pesando 3,400 Kg e medindo 50 cm


A história do meu nome:
A Rainha, A Flor. 
HADASSA é uma plantinha, ou flor, bem rara pois dá somente no deserto. Não, não é um cacto, é um outro tipo de planta, ok. E quando alguém encontra essa flor no deserto pode cavar que com toda certeza encontrará água onde ela está.
 Arbusto que nasce no deserto, e que era utilizado pelos hebreus para cobrir as tendas na Festa dos Tabernáculos. Com isto entendemos que este nome significa cobertura, proteção e também mulher de governo, de influência. 













O merecido sono

Hadassa?!!? Você é descendente de árabe?? 
_ Não. 
_ Nossa!! De onde seus pais tiraram esse nome?? 
_ Da bíblia. 
Hadassa era do povo judeu, povo exilado naquela época. Foi escolhida entre todas as mulheres do reino para se tornar a nova rainha da Pérsia. Era de uma beleza sem igual(na Bíblia: Ester 2.7), e alcançou graça perante o Rei. Não declarou que fazia parte do povo exilado, nem sua linhagem, e mudou seu nome para Ester. AAHH.. Ester você conhece claro. Então, agora você sabe que seu nome verdadeiro era Hadassa.

Relato de Parto Nicole - Nascimento de Hadassa (SET/11)

19 de setembro de 2011


* Por Nicole Silveira
O dia tão esperado chegou!
Na madrugada de Domingo as 4h da manhã despertei com uma sensação estranha na barriga,que não era dor, o bebe estava mexendo. Fui ao banheiro e vi que minha calcinha estava com uma secreção marrom, fui correndo par consultar na internet e constatei o que sentia : meu tampão mucoso estava saindo e este era o primeiro sinal que o trabalho de parto estava apenas começando. Fiquei muito contente, mas resolvi não acordar Gleyton, eu diria assim que acordássemos.
Pela manhã fui a casa de minha sogra e nos dois últimos dias eu pedia para ela medir minha barriga que estava baixando e neste dia ela estava com 4 dedos, então contei sobre o tampão e que naquela manhã comecei a sentir cólicas bem fraquinhas e irregulares. Ela ficou muito feliz e começou a planejar o cardápio do dia e os bolos que faria.
Liguei para Dona Prazeres, minha parteira, ela disse que eu estava num preparatório e eu me alimentasse bem até o horário do almoço e procurasse dormir, que a mantivesse informada sobre as cólicas e a intensidade, pois ela estava preparada só aguardando ser chamada. Falar com ela é sempre um conforto, pela segurança e tranqüilidade que ela passa.
Passei o dia organizando tudo para o parto, conversando com Hadassa, para que ela ajudasse mamãe e acendendo brasas de carvão para queimar alfazema (os partos tradicionais no interior acendem incenso de alfazema o avisando aos vizinhos do nascimento do bebê), o aroma é ótimo e deixava a casa no clima de nascimento.
Trabalho de Parto
Por volta das 23 horas do domingo eu já estava com cólicas mais fortes, porém suportáveis e ainda irregulares, Hadassa mexia bastante. Estava aguardando a chegada de Dona Prazeres  e Danieli. Eu estava muito alegre com a chegada de Hadassa e estava muito sorridente; Deixei tudo em ordem, a casa, o material para o parto, o chá de canela, o incenso de alfazema. Quando elas chegaram pensei: “Está como planejamos, agora é minha filha nascer! Vai dar tudo certo”. Em momento algum duvidei disso: “Vai dar tudo certo”. Dona Prazeres me elogiou: “Hum toda sorridente e bem arrumadinha” como se já soubesse que mais tarde eu estaria fazendo caretas e completamente nua.
Danieli fez a escuta dos batimentos de Hadassa, estavam 140 por minuto. Perguntei a ela sobre a intuição espiritual de Prazeres, pois a minha informava que estava tudo bem, ela confirmou que a dela estava em perfeita sintonia com a minha.
Fui dormir com Gleyton, mas não consegui;Logo começaram as contrações mais fortes e regulares. Dona Prazeres disse que eu a chamasse assim que eu começasse a fazer caretas; Essas caretas vieram junto com as dores mais fortes e a chamei e logo vieram com todo carinho me atender. Fiquei sentada na bola suíça, dando pulos assim que a contração vinha; Caiu a ficha que daquele momento em diante entrei no mundo do parto, aquela madrugada seria marcante e minha filha estava perto de nascer.
Fizeram o 1° exame de toque e informaram que o colo estava bem fino e por isso era difícil constatar quantos centímetros de dilatação estava.
Tomei banho quente da cintura para baixo, o que é realmente muito relaxante, para se ter noção no banho minha barriga contraiu, mas eu não senti a dor;
Durante a noite o trabalho de parto foi assim: Contrações que foram tornando-se cada vez mais regulares e intensas, nestes momentos contei com o amor e força de meu marido que fazia massagens na região lombar e sacro, fez exercícios de agachamento comigo, me segurava quando eu sentia que não agüentava mais e também quando quase caí por duas vezes por causa do sono; Também contei com o carinho de Dani que me abraçava nos momentos de dores mais fortes, o que me energizava e ainda dizia palavras tão doces que acalmavam e tornavam suportáveis qualquer dor, pois me tornava consciente que a vida estava fluindo e minha filha estava cada vez mais pertinho de nascer; Dona Prazeres com seu olhar experiente e seguro me passava toda segurança que estava tudo bem, as dores eram necessárias e naturais, fazem parte do processo da vida; Gleyton me contou que o que o tornava mais calmo diante das minha dores era olhar para ela que vez por outra dava umas piscadelas de lado e dizia a ele : “está tudo bem!”
Ouvimos música toda noite, até arrisquei uns passos de reggae junto a Dona Prazeres. Eram sons conhecidos de Hadassa durante a gestação.
As 5h da manhã minha bolsa estoura, estava em posição da gatinha, ou de quatro, o que não foi muito confortável. Líquido de cor clara e limpo, o que significa? “Está tudo bem!”
Desta hora em diante as dores se tornaram mais intensas e quando olhava para o relógio o tempo passava a cada meia hora a ansiedade de parir era muito grande acompanhado das dores. Eu estava exausta e precisava dormir; Nos intervalos das contrações que estavam a cada 15 minutos eu me deitei no colchonete que estava na sala e dormi; Sabe aqueles sonos bem curtos que parece que você dormiu por horas?! Mas fui despertada por contração muito forte; “Vale salientar que deitada à contração parece multiplicada por 10X, admiro a força das mulheres que conseguem parir deitadas, pois para mim foi a pior posição que estive durante o trabalho de parto”; Dani me pedia para levantar as pernas o que aliviou um pouco e logo depois que ela passou era como se eu não tivesse sentido nada e caí novamente no meu sono revigorante, até ser despertada por outra contração.
Sentei na cadeira de parto e senti o aconchego do abraço do meu Gleyton, que sussurrava coisas tão bonitas e palavras de força ao meu ouvido sobre nossa filhinha e nosso amor.
Eram umas 7h  Dona Prazeres sugeriu mais um toque, eu não me animei com a  idéia, estava muito sensível e até as perguntas que ela fazia eu não entendia mais..Dani disse: “Ela gora entrou definitivamente no mundo do parto”; Eu me lembrei daquele banho quente tão relaxante e elas consentiram. Após o banho eu cheguei junto delas e pedi um analgésico, elas riram e Dona Prazeres disse: “Não tem”!
Foi então que após o toque Dani informou que sentia a testa de minha filhinha e que faltava tão pouco para Hadassa nascer, ela propôs que eu fizesse o exercício de agachamento com Gleyton sempre que sentisse a contração, eu achei que não fosse conseguir, mas uma força inesperada se apoderou de mim e comecei a caminhar pela casa e quando senti a contração agachava ou sentava na bola suíça para dar pulos; Não parecia em nada com a Nicole de 30 minutos atrás que pedira analgésico! Depois de cada contração eu pensava assim: o meu bebê está mais perto, ele está mais perto”. Foi então que comecei a sentir a famosa e tão esperada vontade de fazer força, eu estava de pé e fui para a cadeira de parto com Gleyton me segurando por trás. Era um mix de sentimentos e a vontade de fazer força a cada contração já minimizava as dores. Dona Prazeres e Daniele se prepararam para o expulsivo com tanta tranqüilidade e alegria me incentivava a cada contração a fazer mais força, pois “- Hadassa linda já está vindo”; As dores já estavam para trás agora era fazer força, os gemidos das contrações deram lugar aos gritos fortes que pareciam auxiliar na abertura do canal do parto e eu só pensava em ter minha filha em meus braços. A cada força eu sentia ela descer . Dona Prazeres e Danieli  estavam  já com sua cabeça nas mãos e Gleyton fazia massagem na minha barriga para auxiliar a saída, quando vi o corpinho sair e o chorinho  vigoroso dela ecoar na sala, uma sensação de alívio e uma emoção muito forte se apoderaram de mim, ter minha filha tão desejada em meus braços, conhecer seu rostinho lindo, sentir seu cheirinho e seu corpinho quente, pôr sua boca no seio e sentir seu reflexo de sugar. Agradeci ao Criador por nos ter proporcionado uma felicidade difícil de relatar em palavras. Meu amado esposo estava muito emocionado também, ele me disse ainda na gestação que só se sentiria aliviado quando nos visse juntas e estávamos bem ali envoltas nos seus braços.

Parir é uma experiência única, mágica e sublime.

Fotos do parto de Carol, nascimento de Nara (JUN/11)

Nara chegou na noite de 14 de Junho de 2011, às 00:52, pesando 3.750kg e medindo 55cm, sob o signo de gêmeos, com ascendente em áries e lua em sagitário.







sábado, 14 de janeiro de 2012

Bem Vinda ao mundo pequena! Nasce mais um bebê GESTAR

* Por Danieli Siqueira


Na manhã desta sexta-feira (13/01/12) chegou mais uma alma iluminada na Terra...foi Amarilis uma alma flor que chegou ao mundo forte e guerreira assim como sua mãe Kalinne Mendes... Danieli Siqueira teve a honra de ajudá-las e partejar este momento, recebendo a pequena Amarilis pelas suas mãos que ainda exala o perfume doce das flores...
O Parto foi lindo e super rápido, 4 horas de franco trabalho de parto. Kalinne pariu na água e sorriu o sorriso mais puro quando entrou no período expulsivo, quando sua bebê passava pelo anel de fogo Kalinne sorria e fez todos sorrirem também...logo após a emoção e as lágrimas...chega Amarilis com 3,5kg e 44 cm.
Parabéns Kalinne, Ivan e Amarilis!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Dia da Doula

Hoje é o " Dia da Doula". Gostaríamos de parabenizar estas que tem o papel de oferecer conforto, encorajamento, tranqüilidade, suporte emocional, físico e informativo durante o período de preparação para o parto,trabalho de parto e pós-parto.


Aproveitamos para divulgar o vídeo : "Doulas um ato de amor", que conta com a participação do GGESTAR,  e outras entidades que explicam sobre o ofício da " mulher que serve" ou doula no estado de PE.







sábado, 23 de julho de 2011

Relato de Parto Carol / Nascimento de Nara - Lindo de Viver!!!!


RELATO DE PARTO DOMICILIAR

Por Shirley Caroline

Uma vez escrevi que tudo começa na segunda-feira e nas manhas das manhãs. E foi assim que começaram os primeiros sinais da vinda de Nara.
O relógio indicava 7hs, dia 13 de Junho de 2011, dia de Santo Antônio. Acordei com os sentidos voltados para o meu corpo. Por isso mesmo, já sabia que era chegada a hora. Fiquei tranqüila. Em meu pensamento as palavras de um amigo eram todas repetidas “o corpo é sábio” – e acreditei. Ao perceber que as leves dores de cólica persistiam quando em vez, liguei para a parteira Danieli Siqueira, às 10h. Foi estabelecida a comunicação. Com a confirmação de Dani, de que era a “boa hora”, entrei no quartinho de Nara, conversei com ela e orei aos espíritos amigos. Às 14h30, como um sistema de conjuntos, meu quarto estava na casa vazia, a cama estava no quarto, eu estava na cama, a barriga em mim, Nara na barriga, mas não nadava mais. Um quentinho jorrava entre as minhas pernas. Em pouco tempo já estava a sentir náuseas e irritação porque, ali, eu havia penetrado no meu mundo, o qual havia se tornado restrito.  Eu estava adentrando a Partolândia...
Pela janela do quarto, vi Dani de braços dados com Dona Prazeres entrando pelo portãozinho. E eu olhei para aquele serzinho de quase um metro e meio com o coração palpitando de felicidade. Havia Rebeca e havia Tatiana, doula. Eu sabia que não estava mais sozinha. Sabia que a partir daquele momento era a pessoa mais segura do universo e que todos os meus desejos seriam respeitados. Estava caminhando para um parto natural, ativo, humanizado, trazendo minha filha da melhor forma possível a este mundo, com respeito e entrega que é o princípio do amor.
Meu último desejo foi um pedaço da manga que Rebeca estava fatiando. Não precisei falar que queria, ela ofereceu como quem está em sintonia absoluta. Recordo das caminhadas e abraços tranqüilizadores de Tati, respirando comigo o tempo todo. De olharmos a lua, no céu, plena em seu último dia de lua crescente; crescida, enfim. Lembro do olhar seguro e a voz doce de Dani, mostrando a realidade com entrelinhas do “eu-confio-em-você” e o olhar tão vencido pelo tempo, de dona Prazeres, o qual me respondia perguntas que nunca pronunciei naquela noite. Noite que estava linda, com um clima agradável, muitas estrelas. Nossa casa estava com apenas uma ou duas luzes acesas e todos os presentes possuíam a sensibilidade de me deixar à vontade e se aproximarem nas exatas horas certas.
O avanço das contrações ocorria em segredo com a imagem do quadro que Dani me pintou. Eu via a imagem de um pôr-do-sol se misturando com a areia de um deserto aonde brotava de uma montanhazinha de areia uma pequenina flor vermelha, simplória, de apenas três pétalas, sobrevivendo no meio do nada, querendo acordar como a rosa do pequeno príncipe. Era o meu útero dilatando...
Com a chegada do papai de Nara, Martins, tive muita ajuda, mas às vezes precisava de Tati para me lembrar como respirava e segurar em minha mão. Ele não estava totalmente preparado por isso não entendia a importância, mas ele acreditava em mim e aprendeu ali, no decorrer do processo a ser um excelente companheiro-pai.  Um momento bastante importante da sua presença se deu quando Dani e dona Prazeres deram o único toque do trabalho de parto. Foi em minha cama, no quarto que um dia foi da mãe de Martins e então era nosso e Nara nasceria nele. Martins deitou ao meu lado e segurou em minha mão, enquanto Dani e Dona Prazeres verificaram a dilatação acompanhada de uma excelente notícia: às 20h30 eu já estava com quase 8 de dilatação! Merecia descanso e fiquei alguns minutos deitada com Martins ao meu lado, sozinhos. Foi ali que fizemos as pazes com o antes.
As contrações foram ficando cada vez mais fortes. O corpo queria expulsar tudo! Fazer uma faxina. Exercícios, caminhadas, bola e uma vontade terrível de evacuar. Era hora de ir para a piscininha. Narinha viria das águas! Todos ansiavam a sua chegada e Dani dizia que estava no 3º estágio.  Logo, a banqueta estava dentro da água. A cada contração, Martins me suspendia e Dani protegia o meu períneo o que dava ainda mais vontade de evacuar, mas eu não sabia direcionar a força do evacuar e a prendia em minha garganta. Por um momento entrei em desespero, dei dois gritos e quase chorei! Neste momento, por alguns segundos, quase desacreditei em meu corpo, foi então que todos se aproximaram mais para ajudar. De repente, Martins e Dani estavam dentro da piscina. Com auxílio das parteiras a cabecinha de Nara saiu e para o corpinho só precisou de uma única força. Eu estava curada da lembrança remota do meu nascer e da episiotomia traumatizante da minha mãe.
Apressadamente, Dani colocou, com um lindo sorriso no rosto, Nara em meus braços. A sensação é indescritível. Parece clichê, mas não recordo de possuir tanta felicidade antes, em toda minha vida! Dois olhinhos de bola de gude me olhavam, logo fechavam, como de japinha, para chorar. As parteiras deram as mãos. Havia abraços e sorrisos. Havia Martins, atrás de mim, com olhos de “ufa!”. Dani me deu um grande beijo na testa, Narinha a consagrava parteira e eu dava vivas pela minha cumadre!
Foi assim que Nara chegou naquela noite de 14 de Junho de 2011, às 00:52, pesando 3.750kg e medindo 55cm, sob o signo de gêmeos, com ascendente em áries e lua em sagitário, como a mãe. Seu bracinho estava enganchado no cordão umbilical. A primeira palavra que eu disse, antes dela chorar, foi “seja bem vinda a este mundo, minha filha!” e a trouxe para o seio esquerdo. O cordão parou de pulsar rapidinho, só depois o papai dela o cortou. Em seguida, Dani a limpou e a levou para conhecer o seu quarto e a sua casa (com exceção dos banheiros). Nara observava tudo, atenta e em silêncio.
O que eu pensava acontecer em segredo, não era tão segredo assim. Na casa ao lado, outras pessoas esperavam Nara com lágrimas, ansiedade e orações. Minha mãe, a madrasta e a irmã do papai, vieram como os três reis magos, guiadas pelo choro, conhecer Narinha.
Ficamos, por alguns minutos, afastadas por paredes. Enquanto Nara conhecia sua família, eu expulsava a placenta. A placenta descolou rapidamente do útero, mas era muito grande e a dor não era nada amiga. No entanto, bastou uma única força, na banqueta, para que ela fosse expulsa. Ela era do tipo raquete, dona Prazeres disse. Comi um pequeno pedacinho com molho shoyo, para recuperar as energias e os demais restos foram enterrados na frente de casa, no dia seguinte, pelo vovô e papai, no que um dia será um pequeno jardim e  hoje há tanto abandono.
A maior surpresa ficou para o final – meu períneo estava íntegro! Curei a mim e a minha mãe do trauma causado pelo meu parto há 24 anos antes. Minha mãe... Tentei levá-la aos encontros de gestantes diversas vezes, sem sucesso; após a chegada de Nara ela tornou-se uma defensora , a olhar o parto humanizado com outros olhos e sei que a mim, também. 
Por fim,
Às 3hs da manhã a casa ficou com o nosso silêncio: meu, de Nara e de Martins, que fazia a vigília do sono dela, enquanto eu descansava um pouco. Ele a pegou nos braços, levou para o berço, olhou da porta do quarto, voltou, a pegou nos (a)braços, trouxe para a cama, trocou a primeira fralda. Havia um brilho em seus olhos, daqueles de quando a gente se apaixona. Ele estava se tornando pai. E quando abri meus olhos, duas ou três horas depois, ele estava na mesma posição, fixando o olhar no mesmo objeto. Nara olhava tudo lentamente com olhinhos de bola de gude, conhecendo e se deixando conhecer. O mundo se limitava todo ali, naquela cama de casal em que cabia três.
Dentro de mim, meu coração batia mansinho e quietinho, batucando um samba como uma prece, agradecida a todos os espíritos amigos, materiais ou não. Eu estava aliviada. Muita coisa iria começar, mas muitas outras também iriam terminar. Era o nascimento de Nara, mas também era o renascimento de Carol, o nascimento de uma mãe.

Seja bem vinda, minha filha!
Mamãe já ama.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nasce mais um bebê GESTAR...de um lindo parto domiciliar!!!

* por Danieli Siqueira                                                                                                                            Dia de Santo Antônio, Carol me liga dizendo que Nara começa a sinalizar que está para chegar...Carol estava perdendo tampão e com contrações ainda desregulares e cólicas fraquinhas, era umas 10hs da manhã. Às 14:30 a bolsa das águas rompeu, chegamos lá por volta das 15:30hs, o trabalho de parto se acelerou e Carol foi super guerreira, forte, resistente...E assim continuou o trabalho de parto, às 20:30 fiz o primeiro toque e ela estava com 8 cm de dilatação, continuamos no trabalho e na espera e às 00:52 do dia 14 de junho nasceu NARA, na piscina e na banqueta ao mesmo tempo, com 55 cm e 3.750kg.
Foi um lindo trabalho e muito especial!
Nara nasceu pelas minhas mãos, fui batizada Parteira!!!!
Agradeço imensamente ao universo por vivenciar este momento mágico.
Viva Carol, viva Martin, viva Nara!!!
Sou muito grata a Dona Prazeres, Parteira Tradicional, há mais de 40 anos, que com amor esteve lá todo tempo me apoiando e incentivando em mais este passo na caminhada do partejar, na missão de ajudar outras Mulheres a acessaram o seu poder, o poder do feminino, de GESTAR a vida, de parir a vida!!!
Tatiana doula e Rebeca arrasaram com tanta disponibilidade e eficiência.
Em breve fotos!!